Luiz Alves da Silva foi uma das personagens mais marcantes de Santa Cruz do Capibaribe, no século XX. Quando de sua morte eu não havia nascido ainda, razão por que precisei pesquisar alguns dados para trazer as informações deste artigo.
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Luiz Alves nasceu em 21 de abril de 1886, na fazenda Olho d’Água do Félix, município de Caruaru, e faleceu no dia 11 de setembro de 1950, aos 65 anos de idade, tendo sido sepultado em Caruaru, no jazigo da família.
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Apesar de conhecido como “Coronel”, Luiz Alves jamais foi militar: conforme costume da época, adquiriu a patente, segundo documento do qual consta a assinatura do então Presidente da República Marechal Hermes da Fonseca. Mas o mais interessante é que a patente adquirida não era de coronel, mas de capitão.
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Seus pais, João Alves e Francisca Limeira Alves, pobres camponeses, não tinham como colocá-lo para estudar. Mas, com grande tino administrativo, e apenas com instrução primária, estabeleceu-se em Santa Cruz do Capibaribe, em 1932, aos 26 anos, com comércio de tecidos, mercearia e padaria; tornou-se o homem mais rico da cidade, na primeira metade do século XX.
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Casou-se aos 29 anos, com sua prima Maria Nazina Limeira, 12 anos mais nova, tendo 6 filhos: Otávio Limeira Alves (desportista e grande incentivador do Ypiranga), Mário Limeira Alves (jornalista, professor e poeta), Luiz de França (frade franciscano, com o nome de Frei José Maria), Maria Lúcia Alves (educadora, foi a primeira diretora da hoje Escola Luiz Alves da Silva), Onélia Alves (exímia decoradora) e Dulcina Limeira Alves (educadora, organizou com sua irmã, Lúcia, a primeira festa de debutantes de Santa Cruz do Capibaribe).
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Há divergências de opiniões sobre posicionamento político de Luiz Alves. Segundo alguns, lutou pela emancipação política de Santa Cruz, embora tenha morrido sem ver seu sonho realizado. Já outros afirmam que nunca se interessou pela libertação política da cidade, nada fazendo nesse sentido. O certo é que foi sub-prefeito, delegado de ensino, chefe político da antiga UDN, presidente da Banda Musical Novo Século e tinha largo espírito empreendedor, tanto que construiu a estrada que liga Santa Cruz a Caruaru. Além disso, foi sua a indicação para a nomeação da primeira professora do Estado, Olindina Monteiro.
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Na Inglaterra, Luiz Alves comprou um motor a óleo, que foi instalado às margens do Rio Capibaribe, nas imediações de onde, hoje, fica o Banco Real, para gerar energia elétrica para a cidade. Conta-se que quando se aproximava a hora de desligar o motor, era dado um sinal, para dar tempo a quem estivesse na rua ir para casa com as luzes ainda acesas.
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Foi proprietário do primeiro automóvel a circular na cidade, um Ford 1929, bem como dono do primeiro aparelho de rádio a se ouvir em Santa Cruz. Segundo alguns, tinha um espírito retraído, e usava o rádio somente para si, à exceção quando da transmissão do Congresso Eucarístico Nacional de 1939, quando colocou o aparelho na calçada do casarão em que morava, e que ainda hoje está de pé, na Av. Pe. Zuzinha (o casarão, claro!).
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Era dono de uma fábrica de descaroçar algodão, onde sofreu um acidente, perdendo seu braço esquerdo. Com dificuldades para se equilibrar, caiu de um trem, em Recife, onde estava a negócios e perdeu a perna. Foi ao Rio de Janeiro, colocou próteses dos membros perdidos, mas não conseguiu se habituar ao braço, logo o abandonando.
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Luiz Alves foi também proprietário do primeiro cinema da cidade. Com bancos de madeira e um só projetor, fazia pausas para trocar os rolos de filme ou emendar a fita quebrada. Nessas horas, o vendedor de confeitos e chocolates oferecia seus produtos à platéia, desfilando pelo salão, e os namorados se arrumavam, procurando disfarçar qualquer empolgação do “escurinho”.
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Começou como cinema mudo, com um conjunto musical a executar valsas durante a projeção. Teve sucessivos donos, entre estes, o escritor e jornalista Mário Limeira Alves
, filho do coronel, que fazia, na calçada do cinema, discursos morais acerca do filme a ser exibido. O cinema recebeu o nome de “Compostelano”, numa homenagem a Santiago de Compostela, local da Espanha onde Mário, em peregrinação, conheceu sua esposa, dona Aurora. Para habituar os santacruzenses a freqüentar seu cinema, realizava as "sessões da boa vontade", em que o pagamento do ingresso era facultativo. Foi esse cinema o sonho dourado da criançada de então. Ficava próximo à sede atual da Banda Musical Novo Século, na avenida Padre Zuzinha.
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Praticamente todo o terreno que circundava a Vila de Santa Cruz era de propriedade de Luiz Alves. O primeiro prefeito eleito, Raymundo Aragão, precisou comprar da viúva do coronel vários terrenos, para poder dar expansão à cidade, que exigia espaço para crescer.
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Num desses terrenos, ficavam os currais do fazendeiro Luiz Alves, perto da Rua do Alto, onde hoje fica a Rua Coronel Luiz Alves, por esta razão conhecida como Rua dos Currais.
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Por Edson Tavares

Por Emanoel Glicério |

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