Estava eu bisbilhotando a internet, e encontrei, repentinamente, uma matéria sobre Santa Cruz de antigamente, especificamente sobre os bares de nossa cidade. Alguns eu conheci – de ouvir falar, menino que era – outros me são desconhecidos. Resumamos a matéria, que encontrei em http://www.geocities.com/sulanca/sautxt.htm.

O primeiro bar de que se tem notícia em Santa Cruz é o de Abílio Balbino, que era mais usado como lanchonete, e ficava nas proximidades da hoje prefeitura. Este eu não alcancei.

Mas dos dois seguintes, citados pela matéria, eu me lembro perfeitamente: o Xique-Xique Bar, ponto de encontro de boêmios e amigos, ficava na Trav. Júlio Morais (Beco de Braz de Lira), esquina com o Jonas Foto, pertencia a Adolfo Félix (conhecido como “Dolfo”, torcedor fanático do Santa Cruz, casado com a Professora Maria Inês Félix (minha professora na 3ª. série, na Escola Luiz Alves, vindo depois a ser diretora dessa escola), pai de três de meus colegas de escola, Adolfo (Dolfinho), Haroldo e George). E o Bar do Anselmo, na Rua Grande, que se destacava pelos excelentes doces que vendia – meu pai, que me levou lá algumas vezes, adorava o de mamão com coco; aliás, naqueles tempos de escassez d’água, para tomar um copo do precioso líquido em qualquer bar, tinha que se fazer uma despesa, e nada melhor que um dos deliciosos copos de doce de Anselmo (copos mesmo, tipo “americano”, lacrado com um papel de seda), para tornar a água mais saborosa.

A matéria cita também o bar de Dorim Clementino, informando que “lá se reuniam as pessoas de destaque no lugar para o trato de amenidades” e que era um “local para frequentes audições de seresteiros”; a localização do bar seria “perto da primeira gameleira” da Rua Grande. Não o conheci, nem sei se a matéria fala de Dorim França (velho amigo de minha mãe), de quem conheci apenas o Hotel Familiar, em frente ao sobrado das Morais.

Ainda na Rua Grande, atual Av. Padre Zuzinha, o site menciona o Bar de João Deodato, o Bar do Praça (em frente ao prédio da atual prefeitura), pertencente a José Álvaro Filho (o Praça, ou Jalvinho), e o Bilhar de Manoel Marques (onde menor não podia entrar e em cujos “socavões havia jogos de cartas, local a que [também] só tinham acesso os adultos”. Não são do meu tempo esses três estabelecimentos.

Na Rua Cap. Pedrosa, também conhecida como Rua da Fábrica, uma vez que nela ficava a fábrica do Café Orizaba, pertencente a Oséas Morais, na esquina com a Rua Tito Sinésio Aragão, havia o Bar do Delfino, bastante frequentado nos meus tempos de adolescente, quando meu pai tinha uma mercearia em frente à referida fábrica, esquina com o aludido bar.

Eu me lembro também do Bar do Coroca, que ficava na entrada da cidade; seu proprietário, bastante querido pela comunidade dos freqüentadores de mesa de bar, foi assassinado em abril de 1984, causando uma consternação entre os amigos e conhecidos. Aliás, a foto que ilustra a coluna, de 1978, traz Luiz Coroca (primeiro à esquerda, de chapéu), com uma turma de amigos (inclusive os já falecidos também Adilson Bezerra e Inocêncio Morais), em outro estabelecimento etílico que fez sucesso em nossa cidade, nos meus tempos de menino: a Taberna, que ficava no bairro Novo, e que terminou pegando fogo, literalmente: foi devorada por um incêndio.

Outro estabelecimento que conheci, agora já mais recentemente, nos anos 80, foi o Surubim Bar, por trás da Escola Padre Zuzinha, e que servia uma deliciosa galinha guisada, iguaria que provei muitas vezes, nas minhas noites de depois-das-aulas...

Bares surgiram, outros fecharam suas portas; freqüentadores assíduos ou boêmios contumazes os sustentaram e faziam deles pontos de encontro, para conversar, trocar ideias, falar de política, da vida dos outros e, claro, saborear a cerveja estupidamente gelada ou tomar sua bicada de Pitú ou de Serra Grande (as cachaças rivais), ou ainda de Chora-na-Rampa, com os apetitosos tira-gostos de isca de fígado, passarinha ou simplesmente laranja comum; não raro, clientes mais calibrados se exaltavam em alguma discussão, e a mãozada no pé da orelha era a prévia do baque no chão, levantando poeira, e do furdunço generalizado que se seguia.

Mas também eram ambientes descontraídos, que deixaram grandes e saudosas lembranças na gente santacruzense daquele tempo... Ergamos um brinde a todos eles... Tim-tim!
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Por Edson Tavares

Por Emanoel Glicério |

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