Não precisa ser cientista político para admitir essa afirmativa, mas nem todo mundo aceita tal idéia. Principalmente uma boa parte dos que ocupam os cargos do Poder Executivo e os que de certa forma são favorecidos pessoalmente pelo Poder Público. Desde que acompanho as eleições em Santa Cruz do Capibaribe assisti a situações constrangedoras e vergonhosas envolvendo o Poder Legislativo do nosso município. Quem não se lembra da eleição da presidência da Câmara Municipal para o Biênio 1997/1998 quando a bancada de situação recém-eleita tinha sete vereadores e a bancada de oposição tinha seis? A contagem de votos sufragou José Augusto presidente da Câmara. Muito esquisito, mas de fato aconteceu. Muitas acusações: quem seria o traidor? O voto era secreto e nunca realmente se soube quem votou em José Augusto. Para o Biênio 2001/2002 a história se repetiu e a então vereadora Nailza Ramos, mudou de partido horas antes da eleição da Câmara e elegeu-se presidente desta casa. Em fins de 2002 acontecia a eleição para o Biênio 2003/2004 e, após muitas tentativas de composição, o vereador Afrânio Marques anulou seu voto e, em conseqüência, Zilda Moraes, por ser mais velha, consagrou-se a presidente. Para o Biênio 2005/2006, aconteceu de novo. O vereador Rui Medeiros eleito na bancada do candidato a prefeito Dr. Nanau nem esquentou o assento na oposição e compôs com a bancada de situação elegendo-se presidente. Para o Biênio 2007/2008 o vereador Dimas Dantas que era da oposição transferiu-se para a situação dias antes e se elegeu presidente da Câmara.

Esses acontecimentos não foram semelhantes, pois cada qual teve seus motivos particulares, inclusive coerentes em alguns deles, os quais prefiro não me manifestar para não ser mal-entendido. No entanto, muitos deles foram oriundos de conveniências, favorecimentos, status etc. É o que podemos chamar de “jogadas políticas”. Essas jogadas políticas muito se adaptam a Santa Cruz onde a política ainda é vista como um jogo e os partidos são vistos como times de futebol e não é difícil concluir que os eleitores são “fiéis” torcedores. Generalizar seria injusto, mas ninguém há de negar que o número de eleitores que de fato analisa em quem vai votar é insignificante em relação à grandeza da nossa cidade. Sem fugir do assunto, os cidadãos, ou melhor, os torcedores, aprovam todas as “jogadas” de seus craques mesmo que estas DESRESPEITEM a Democracia. Apóiam os “jogadores” mesmo quando os meios para as tão “brilhantes jogadas” são ilícitos, covardes, traiçoeiros... No histórico da Câmara de nossa cidade, assistimos a “jogadas” que, embora aprovadas e aclamadas por boa parte da imprensa e do povo em nosso município, não condizem com os princípios da Democracia.

Ou seja, tomando como exemplo a eleição para o Biênio 2001/2002, em que a população tinha eleito sete vereadores para a oposição jamais poderiam “forças alheias” ao processo democrático intervir de forma ainda não explicada até hoje. Isso, porque, podemos concluir, a Oposição, ESSENCIAL À DEMOCRACIA, quando é atacada, agredida, lesionada, violada, atingida em seu âmago há um empobrecimento da representatividade popular e, por isso, as pessoas que promoveram e colaboraram para tal agressão devem ser repudiadas e banidas da política. Porque nada mais fizeram do que desrespeitar e ferir gravemente a escolha soberana do povo. Não quero aqui afirmar que não haja mudanças, pois em muitas ocasiões aconteceram fatos relevantes para tal, mas toda pessoa de consciência neste município sabe que nem em todos os casos houve um motivo justo. Repudio as mudanças bruscas em que não estava presente o interesse público, mas apenas caprichos pessoais e interesses escusos por parte dos detentores do poder. Estes casos devem ser repudiados pelo povo e não aclamados como por muitas vezes vimos. Devemos entender que a oposição é o fiscal do Poder Público. Em Santa Cruz temos dez vereadores, cinco a cinco, no momento não há motivos para que nenhum “pule de galho”, isto não quer dizer que não possam surgir, o mundo vive em mudanças, mas esses motivos não podem ser fúteis e pessoais como ocorreu na maioria dos fatos narrados acima, mas quando forem feridos nossos interesses, interesses da maioria que elegeu tanto o novo prefeito a partir de 1º de janeiro do seguinte ano como toda a bancada de vereadores.

Diante disso, quero ressaltar, já que enfatizei a OPOSIÇÃO no título deste texto, a responsabilidade dos vereadores eleitos: Zezin Buxin, Dr. Nanau, Francisquinho, Júnior Gomes e Afrânio Marques, este último eleito por média, pois Galego de Mourinha, Rui Medeiros e Agnaldo Xavier obtiveram mais votos que ele e não se reelegeram. Oponho-me aos que acham injusta a eleição por média. Se assim não fosse, haveria comprometimento democrático, porque o partido mais “forte”, de mais apoios e mais recursos fatalmente elegeria mais vereadores e, conseqüentemente, a OPOSIÇÃO se enfraqueceria. Desse modo, concluo dizendo que, em dois meses, teremos eleições para a presidência Câmara Municipal e não seria conveniente e coerente que de novo acontecessem surpresas constrangedoras, pois, quando eleitos, os vereadores devem corresponder aos anseios da maioria: elaborar e aprovar projetos em benefício do povo e fiscalizar assiduamente o dinheiro público.

Conheço pessoalmente os cinco vereadores da OPOSIÇÃO e acredito que nenhum vai mudar de bancada, pois recebedores da confiança popular serão honrosos em suas atribuições. Acredito que durante esta gestão a Democracia em Santa Cruz será respeitada e a vontade da maioria será acatada como soberana. Seria muito triste e vergonhoso para esta terra se as “jogadinhas” de última hora entrassem em cena de novo e se sobrepusessem a escolha do povo, pois correríamos o risco de sofrer as conseqüências de mais uma “jogada” política, porque, embora muitos não saibam, quando a Oposição é violada há algum interesse nessa violação. Se se quer fazer um governo sério e honesto não se fazem necessárias “jogadas”, em sua maioria, “sujas”, pois nenhum vereador terá ousadia de votar contra o bem do povo. Quando se busca um meio de “burlar” a Oposição é porque há intenções de se conseguir a aprovação de algo que não representa a vontade popular.

Clécio Dias
Poeta, Corretor de Imóveis e Estudante de Direito

Por Emanoel Glicério |

4 comentários:

  1. Anônimo disse...:

    O clientelismo de outrora não só não foi extinto no nosso país, como tem se transferido para o núcleo do poder. Se isso ocorre, a população que elege seus representantes nada mais é do que uma população negligente, irresponsável. E se muitas vezes se queixa da cidade, do estado, do país em que vive, devem se lembrar que a primeira responsabilidade nisso tudo é dela, pois foi ela quem os investiu nos assentos da democracia. Cabe ao eleitor, a partir de 1º de janeiro, fiscalizar e cobrar as ações propostas por quem elegeu, e ficar atento ao comportamento de seus representantes.

  1. Olá amigo Clécio,

    Parabéns pelo ótimo texto.
    Assim é que devemos agir, baseados em fatos e fazendo uso da racionalidade.
    Grande abraço,

    Euzébio Pereira

  1. Anônimo disse...:

    acho que os vereadores eleitos por nós terão vergonha na cara e não vão se vender, pois o povo que tá no poder vai querer comprar vereador. vamos ter vergonha na cara!

    Zé Rato

  1. Anônimo disse...:

    A camara municipal que vai assumir em janeiro é muito melhor do que a que esta aí.
    Acho que ninguém vai se vender.
    Gostei do texto, Clécio.

    ronaldinho gaucho