O músico amador Paulo Renato da Silva Fonseca, 20 anos, morava num quartinho da Rua Boa Esperança, no bairro de São José, centro do Recife, mas sonhava ter padrinhos políticos fortes.O jovem não recebeu nenhuma promessa de campanha mas conseguiu o que queria Nos últimos dois meses, tornou-se 'assessor' de caciques pernambucanos, sem que eles soubessem, driblou a segurança de duas operadoras de cartões de crédito e conseguiu retirar cinco cartões como dependente. Paulo não tinha preferências partidárias até ser preso em flagrante, ontem, e acusado de estelionato continuado. Ele e mais duas pessoas ainda não identificadas faziam as fraudes por meio de telefone e internet, usando dados pessoais dos políticos, endereços e números de documentos.

Quem estava prestes a bancar os gastos do músico era nada menos que o líder do PT na Câmara dos Deputados, Maurício Rands, o presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Armando Monteiro Neto (PTB), o deputado federal Carlos Wilson (PT) e o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), ex-governador do estado. Não havia vetos ideológicos. Paulo estava apenas de olho na conta bancária dos parlamentares. As notas do músico desafinaram por um motivo. Ele se passou por Paulo Maluf, ex-governador de São Paulo, pediu transferência de endereço de São Paulo para o bairro de São José, onde mora, e se incluiu como dependente dele, prática utilizada contra os políticos pernambucanos.

O jovem desafinou o tom no início da manhã de ontem, sendo preso em flagrante quando recebia em casa dois cartões de crédito retirados por meio de fraude. Um estava no nome de Maurício Rands e outro no nome dele, segundo o delegado de Repressão ao Estelionato, Erivaldo Guerra.

(Do Diario de Pernambuco)

Por Emanoel Glicério |

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