O MAIOR “CRIMINOSO” DE SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE!

A música fúnebre do SAMU soa constantemente nas ruas e o canto funeral do RABECÃO encerra a canção da dor, do terror e das tragédias em nossa cidade. Todo dia, não tem dia menos, nem dia mais.

Dias de feira, sem feira. De dia, à noite, não tem hora certa. O violino da morte a cada instante entoa mais uma perda. A dor toma conta, a revolta invade nosso coração. A Santa chora e uma Cruz resta no lugar onde uma alma deu seu último suspiro.

A Avenida Braz de Lira, Bela Vista, Vinte e Nove de Dezembro são os palcos principais da angústia e do sofrimento – o Teatro do medo!

O concerto é muito triste ante o desconcerto do trânsito. Uma nota triste quebra o barulho dos carros, mais uma morte e quando não, um corte profundo, um membro amputado.

Um rio de sangue e quando não uma poça vermelha que se apaga aos poucos como a esperança da gente.

Acontece. Todo dia acontece. Num instante inesperado. Minutos depois, uma família sofre a dor brusca.

A dor de ver um dos seus estirado no meio de uma estrada vítima da irresponsabilidade de alguns, vítima da omissão do poder público, vítima da falta de educação no trânsito.

O que dizer? No meio do silêncio da tragédia uma revolta imensa toma conta. A dor e a solidariedade nos fazem perguntar: até quando?

Até quando vamos ter que suportar tanta dor? Até quando aceitar essa realidade revoltante? Até quando? O pior de tudo é que enquanto estamos refletindo a sirene toca, de novo a canção triste do SAMU... Em outro ponto da cidade. Outra dor. Outra perda!

Faz alguns anos que a injustiça e o descaso cantam seu hino irônico nas ruas de Santa Cruz. No entanto, em tempo de eleição, outras canções desentoam da realidade e o som dos carros e o barulho das carreatas tentam abafar o som contínuo e triste das misérias do nosso trânsito.

Os ouvidos menos atentos são embalados pelo som estridente dos “carros alegóricos” das eleições. Mensagens de que Santa Cruz é um céu e que tem até um “deus” são divulgadas pela boca miúda e por parte da imprensa tendenciosa do município.

Um verdadeiro convite para o esquecimento. É hora de “esconder” o que significa uma eleição. É hora de semear fanatismo e paixão política. Enquanto isso, o trânsito vai continuar matando nossos cidadãos de bem – um verdadeira guerra – mas tendo a cumplicidade do poder público do município!

Clécio Dias, poeta santa-cruzense.

Por Emanoel Glicério | Marcadores:

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