Voto e Fanatismo nunca combinaram

Uma das maiores tristezas da humanidade foi à invenção do fanatismo. O fanático é o verdadeiro cego que não ver porque não quer! O fanatismo tem o “poder” de fazer com que homens se ajoelhem diante de outros com o simples motivo de torcer.

Quando os homens escolhem certas paixões se esquecem de dar ouvidos à razão. Desse modo, sofrem muitas infelicidades que plantaram em nome do desejo insano alimentado por ideais vazios – chave do fanatismo.

Em muitas áreas da nossa vida essa paixão nos guia para certos caminhos estreitos de sofrimento e insatisfação. Isso é fácil de analisar no futebol onde muitas pessoas vestem a camisa de um clube para torcer em nome de uma simpatia que tem por este.

No entanto, quando o seu time perde essas pessoas não sofrem nenhuma consequência a não ser uma desilusão interna que o leva a um sentimento de decepção passageira.

Na política o quadro é diferente. Não sei que espírito miserável trouxe para a política o fanatismo que com ela nunca deveria conviver. Não quero aqui criticar quem torce, pois todos nós torcemos. Admito que a paixão guie o homem quando ele acredita em algo e lute para conquistar, mas não quando ele luta por algo que não acredita.

Eis o mal do fanatismo na política!

O fanatismo leva às urnas torcedores e não eleitores. Engana-se muito quem pensa que torcer é votar. Votar é escolher algumas pessoas iguais a nós (não existem – nem devem existir – estrelas nem heróis na política, mas representantes do povo), por quatro anos, geralmente, essas pessoas vão administrar nosso dinheiro, embora existam pessoas que por mesquinhez ou ingenuidade louvam um administrador público quando este faz uma ou outra obra, como se fosse um favor impagável.

Os torcedores que pensam que são eleitores são a pior espécie. Torcem com muito fervor e votam com extrema fraqueza. Triste o país, ou estado, ou município onde seu povo torce mais do que pensa e vota só por torcer. As consequências são desorganização, falta de assistência médica, falta de escolas, ausência de respeito aos cidadãos...

O preço pago pelo voto cego é esse. Enquanto os torcedores não abrirem os olhos toda essa miséria e todas as mazelas em que estamos enterrados vão incomodar, não somente por três meses (período eleitoral), mas por quatro, por oito, por doze anos ou até mais...

Somente quando a consciência guiar o voto é que teremos eleitores que votarão e torcerão por que entendem e analisam o que fazem. Do contrário, enquanto o fanatismo estiver na direção, teremos torcedores que vão às urnas com o sentimento medíocre de serem meros e tacanhos torcedores, colaboradores e cúmplices das más administrações e dos desvios de verbas públicas.

Sei que isso é difícil. Porém, se com esse texto consegui, pelo menos, aclarar a mente de uma ou duas dezenas de cidadãos da nossa terra me sentirei alguém que semeou, ainda que timidamente, algumas sementes de cidadania e consciência, valores que muitos espíritos interesseiros morrem de medo de encarar!

Por Clécio Gonçalves Dias
Cidadão de Santa Cruz do Capibaribe.

Por Emanoel Glicério | Marcadores:

0 comentários: