Será que isso é aqui?

Estava lendo um livro e vi a seguinte idéia: “ao contrário do que se supõe, o tirano é infeliz. (...) Ele não conhece nem amores confiáveis nem amizades verdadeiras, mas sim o temor constante do complô, da solidão. (...) Se o tirano não é feliz, não é absolutamente por não ser amado, mas porque não foi reconhecido.” Quando lia sobre isso fiquei me perguntando se o autor estava querendo se referir a nossa realidade, se isso era aqui? Mas como, se o autor não conhece nem de longe a nossa realidade?

Hoje estamos passando por um momento como esses. Num combate de vida ou morte, a fim de fazer com que um líder seja reconhecido por sua dignidade humana exclusiva, isso mesmo, exclusiva. “O que faz a diferença entre o homem dos outros animais é o desejo de honra”, de ser reconhecido, porém homenagens ditadas pelo temor não são honras, mas atos de clemência.

Sugiro que renuncie à tirania para não mais ser infeliz, porém, tal mudança não abolirá seus crimes. A maior miséria do tirano é que não pode mais se desfazer das atrocidades que fez. Ele só ficará satisfeito com o controle político e socialmente homogêneo centrado em sua figura. Mas, como em política não se trata de amor nem de felicidade, o tirano continua tentando controlar as informações, as opiniões, as verdades, os desejos, as leis, o povo e o poder.

Por Gilson Julião
Conselheiro Tutelar

Por Emanoel Glicério |

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