A diretoria do Moda Center, que havia marcado uma assembléia para a última sexta-feira, onde seria colocado em votação o reajuste da taxa de condomínio, procura uma forma de concertar os estragos político e administrativos provocados pela confusão que terminou cancelando a assembléia.

Prejuízo administrativo, porque segundo o síndico do condomínio, o reajuste é vital para manter o Moda Center funcionando normalmente e para iniciar uma campanha publicitária por vários estados do país, divulgando a economia da Capital da Sulanca e o condomínio onde “Nem na China” se encontrar oportunidades de negócios como no Moda Center.

Mas infelizmente o Moda Center tem sido prejudicado, desde a sua origem, pela paixão política que consome a cidade e que mais uma vez deixou os assuntos relevantes em segundo plano para abrir espaço para uma politicalha irresponsável e inconsequente. E é daí que vem o prejuízo político com a assembléia, já que é inegável a ligação da imagem do político José Augusto ao Moda Center.

Para muitos condôminos presentes a assembléia o principal motivo de se posicionar de forma contraria ao reajuste da taxa de condomínio era pelo fato de tentar impor uma derrota a José Augusto. Por outro lado muitos dos aliados do ex-prefeito e atual síndico estavam em busca de mais uma vitoria para o líder, sem entenderem realmente quais eram os efeitos da aprovação ou não do reajuste para o condomínio. E dentro desse fogo cruzado alimentado pelo fanatismo político estavam os verdadeiros responsáveis pelo desenvolvimento e progresso da Capital da Sulanca e do Moda Center: os sulanqueiros, confeccionistas e empreendedores que olham para a cidade com a visão de quem busca o progresso, e não a vitoria de grupo político A ou B.

A assembléia


A assembléia da última sexta-feira foi marcada pelos confrontos entre o síndico do Moda Center, José Augusto, e o ex-vereador Aguinaldo Xavier (Ambos do PTB, mas inimigos políticos).

Durante toda a semana que antecedeu a assembléia do Moda Center os dois políticos fizeram uma verdadeira maratona pelas rádios da cidade tentando justificar suas posições com relação ao reajuste da taxa de condomínio.

José Augusto explicou a necessidade de reajustar as taxas do condomínio para manter o Moda Center funcionando, mas o ex-vereador, Aguinaldo Xavier, questionou esse reajuste e passou a propor uma redução nos gastos do Moda Center, acompanhando de uma consultoria para detectar uma melhor forma de administrar o condomínio.

O que era uma discussão administrativa se tornou um embate político, onde o que menos interessava era o Moda Center. Aguinaldo Xavier colocou carros de som pelas ruas da cidade convocando os condôminos para votarem contra o reajuste , e iniciou uma articulação política para levar um grande número de aliados ao parque e derrotar José Augusto. Já o síndico não escondeu a sua contrariedade com as atitudes do desafeto, e menosprezando o inimigo político, não se articulou para levar os seus aliados a assembléia.

Protestos e tumultos

A assembléia mal chegou a começar e uma queda de energia provocou o ponta-pé inicial dos protestos, fazendo com que a assembléia fosse cancelada, sem data certa para a nova convocação dos condôminos.

A partir do momento em que foi anunciado o cancelamento da assembléia os condôminos intensificaram os protestos, gritando palavras de ordem e acusando a diretoria do Moda Center de não colocar o reajuste em votação por saber que o número de condôminos contrários era bem maior que os simpatizantes do reajuste.

Durante aproximadamente dez minutos que pareciam uma eternidade, José Augusto se manteve imóvel entre uma barreira de seguranças enquanto os condôminos protestavam. A expressão de José Augusto era a de quem sabia que a derrota era visível, e em alguns momentos era nítido o medo estampado no rosto de líder político que pela primeira vez foi afrontado publicamente pelos condôminos.

Pouco a pouco outros membros da diretoria do Moda Center começavam a abandonar o local dos protestos, aconselhando o síndico a fazer o mesmo. Em um determinado momento, captado pelas lentes do Diário da Sulanca/Portal Capibaribe, o tesoureiro Zenivaldo Andrade faz um gesto de que está indo embora, é a partir deste instante que José Augusto começa a aceitar a ideia de se retirar do local da assembléia.

O que se vê em seguida é uma verdadeira caça ao suposto responsável pelo cancelamento da assembléia. José Augusto percorre os corredores entre as ruas de box’s , tentando chegar até o escritório da administração, enquanto é seguido pelos condôminos que cobram respeito, pedem a volta as assembléia, e gritam o tradicional “FORA, FORA, FORA”.

Se sentido acuado pelo grande número de condôminos que o seguem, José Augusto parte para o ataque e acusa os manifestantes de promoverem uma bagunça orquestrada pelo empresário Zinha Vieira, pelo deputado estadual Edson Vieira e pelo ex-vereador Aguinaldo Xavier.

“Isso não é uma assembléia, isso é uma bagunça, o Moda Center é um lugar de respeito” gritava José Augusto enquanto um coro ensurdecedor também cobrava respeito do síndico.

O ponto mais crítico do confronto ocorreu quando um condômino ainda não identificado fez uma provocação ao síndico, que em uma total falta de equilíbrio emocional, partiu para cima dos manifestantes aos gritos de “Vocês querem me matar, me matem, me matem. Fui eu que fiz isso aqui. Fui eu. Sou louco por isso. Me matem”. Os condôminos atônitos apenas olhavam a cena e pareciam não acreditar que José Augusto tinha perdido o controle da situação, que em outras oportunidades facilmente seria contornada.

A coletiva

Já passava das 20 horas quando José Augusto decidiu convocar a imprensa para uma coletiva onde abordaria tudo o que ocorreu nos tumultos provocados pelo cancelamento da assembléia.

Visivelmente calmo, José Augusto iniciou a coletiva falando sobre o prejuízo que o Moda Center terá com o atraso no reajuste da taxa de condomínio, já que esse aporte financeiro seria utilizado para equilibrar o orçamento do condomínio e proporcionar condições para se iniciar uma campanha publicitária com a marca Moda Center.

José Augusto comentou a interferência de pessoas que ele classifica como “Políticos do Atraso” e voltou a citar o nome do deputado Edson Vieira e do ex-vereador Aguinaldo Xavier como incentivadores dos tumultos ocorridos no Moda Center.

Politicamente o síndico reconheceu que tem tido prejuízos ao tomar medidas impopulares como a taxa para que moto-taxistas, taxistas e toyoteiros atuem dentro da área do parque, mas afirmou que decisões como estas são inevitáveis para manter o Moda Center de pé.

José Augusto afirmou que poderá diminuir a bonificação dos condôminos que pagam suas taxas em dias, além de tentar encontrar outras formas de conseguir arrecadar fundos para preencher as perdas com o atraso no reajuste, mas não informou a data para a realização da nova assembléia.

Por Emanoel Glicério |

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