Conversando despretensiosamente pelo MSN com Emanoel Glicério, surgiu deste a ideia de uma coluna neste blog falando sobre a Santa Cruz do passado, como faço em uma comunidade que criei no Orkut. Pareceu-me boa a proposta, pois é mais um espaço que podemos ocupar para tratar das coisas de uma Santa Cruz do Capibaribe que não existe mais, senão nas lembranças de pessoas que, como eu, cultivam essa paixão que é reviver o tempo que passou.

Não se trata – e isso deixo claro desde o início – de uma pesquisa histórica, com o rigor próprio de um texto científico. É, antes de qualquer coisa, uma série de comentários ditados pela emoção de quem se lembra da infância, adolescência e juventude... Por se tratar de lembranças, sem qualquer compromisso histórico, dou-me o direito de me equivocar em alguns dados, de esquecer de outros, de trocar nomes de pessoas – o que é comum numa conversa saudosista. Mas é também característica de um bate-papo sobre o passado que as pessoas com quem conversamos – aqui, os leitores – também interfiram, corrijam fatos, complementem informações, dêem opiniões. Assim, nessa saudável interação, iremos tecendo essa teia que é a história de nossa cidade, e que, aí sim, pode servir de subsídio para algum historiador que se proponha a escrever sobre Santa Cruz.

Minha memória divaga a partir do final dos anos 60, toda a década de 70, a última metade da década de 80 até meados da de 90, que foi o período em que vivi efetivamente em Santa Cruz do Capibaribe.

Portanto, puxem o banquinho, podem sentar, e fiquem à vontade, nessa viagem à Santa Cruz de Ontem.

Escolas

Escola Padre Zuzinha na década de 80
Como professor, filho e sobrinho-neto de professoras, não poderia começar por outro tópico que não fosse o registro das escolas mais antigas de nossa cidade.

Inicialmente, gostaria de falar sobre o “Grupo das Morais”, atual Escola Malaquias Cardoso, que ficava praticamente na zona rural do município, pois era bem antes da ponte que dava acesso à cidade (era chamada também de “Escola Rural”). Lá trabalharam as irmãs Morais: Faustina, Ezil e Erasta. Interessante como o crescimento da cidade engole as distâncias – hoje a escola fica dentro da cidade.

Outra escola antiga, que ficava muito distante, no outro extremo, pois era depois da Rua Grande, já no caminho para São Domingos, era a Escola de Maria Lúcia Alves, onde hoje funciona a Escola Santo Antonio. A professora Maria Lúcia era filha do Coronel Luiz Alves, e foi grande amiga de minha mãe.

Falar no coronel, o chamado “Grupo Velho” recebeu seu nome, no início da década de 60, quando foi inaugurado: Grupo Escolar Luiz Alves da Silva (o “GELAS”); sua primeira diretora foi exatamente a professora Maria Lúcia, e uma de suas primeiras professoras a minha mãe, Maria José Tavares, que lá trabalhou por mais de 30 anos, até sua aposentadoria.

O Colégio Normal e Ginásio Santa Cruz foi uma obra do Prefeito Raymundo Francelino Aragão, que solicitou ao Padre José Aragão Araújo (Pe. Zezé), então no Rio de Janeiro, que retornasse a Santa Cruz para dirigir a nova escola – criando, por conta disso, uma indisposição com o Dep. Tabosa de Almeida, como o próprio Raymundo me contou, em entrevista para o Jornal Capibaribe, e sobre o que falaremos em breve aqui.

No final da década de 60, foi inaugurado o “Grupo Novo”, que recebeu o nome do pai do prefeito Raymundo Aragão, que o construira: Grupo Escolar José Francelino Aragão. Na minha época de menino, era muito longe, quase no final da cidade, praticamente vizinho ao “campo de aviação” – hoje está no Centro da cidade.

Em 1973, foi fundada uma escola municipal, que recebeu o (hoje) tenebroso nome de Trinta e Um de Março, em homenagem ao dia em que os militares dizem que fizeram uma "revolução democrática" neste país. Como vivíamos em plena ditadura, o nobre vereador Inocêncio Moraes teve a brilhante idéia de dar esse nome à escola inaugurada pelo então prefeito Padre Zuzinha, que foi também seu primeiro diretor e professor de Ensino Religioso. Hoje, a escola traz o nome de seu fundador.

Afora essas, várias outras escolas menores funcionavam, geralmente na casa da própria professora; lembro da escolinha da Profª. Ivani Batista, na Rua do Alto (atual Av. Jatobá), para onde os alunos iam carregando cada um seu próprio tamborete, e onde ainda vigorava a lei da palmatória; na Rua do Pátio (atual Raymundo Francelino Aragão), funcionava a escola de minha tia-avó, Tomásia Cantuária Tavares; na Rua Grande (atual Av. Pe. Zuzinha), ficava a escolinha de Gercina Freitas... e por aí vai...

Ouvi falar também de um professor Manoel Veloso, mas esse eu não conheci, nem sei muito sobre ele.

Abraço a todos...

Edson Tavares

Por Emanoel Glicério |

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