Investimentos anti-crise



Crises vêm e vão – e investidores reinam em repetir os erros de sempre quando o pânico substitui a razão no mercado financeiro. O principal erro é achar que tudo mudou com o novo cenário: isso leva, por exemplo, à venda de ações nos momentos de baixa, justamente o contrário que é recomendado para quem investe em bolsa. Mas os investidores devem simplesmente assistir, impassivos, à turbulência dos mercados? Também não. O agravamento da crise européia traz, sim, novos elementos que devem influenciar as decisões de investidores brasileiros, mas sem desespero.

O desempenho de algumas aplicações em setembro




Ações

Elas ganham com a alta do dólar – é recomendável os papéis de exportadoras e um aumento das aplicações de empresas que têm receitas protegidas da alta da inflação, já que a maioria espera que a valorização do dólar pressione ainda mais os preços. Gerdau e Vale são vistas como as exportadoras mais beneficiadas porque boa parte de suas receitas vem do exterior – e a alta do dólar favorece os resultados. Alem disso o perfil do seu endividamento não deve ser prejudicado pela alta da moeda americana. CCR, BR Malls e Cielo, essas empresas reajustaram seus preços, o que protege suas receitas de um provável aumento de inflação. O valor dos papéis é visto como atraentes. Os papeis dos bancos brasileiros estão cerca de 30% mais baratos que os de instituições financeiras da América Latina, em média. O desconto é injustificado, porque reflete o temor de um aumento pouco provável da inadimplência. As ações das construtoras caíram, em média, 12% em setembro, a maior baixa entre os setores da Bovespa. Brookfield, Gafisa e Rossi chegaram a valer em bolsa menos que seu patrimônio, um indício de que estão desvalorizadas. O risco desse setor é o de haver novos reajustes das matérias-primas, o que prejudicaria os resultados.

Renda fixa

Os juros pagos pelos títulos públicos prefixados de prazos longos (aqueles que determinam hoje o retorno a ser entregue no futuro) subiram em setembro, em meio ao aumento de incerteza – os investidores passaram a exigir retornos maiores para comprar os papéis. O rendimento de uma NTF-F com vencimento para 2017 passou de 11,4% para 12,3% entre 12 e 23 de setembro. Inflação. É recomendável aplicar entre 10% e 30% de fundos de títulos atrelados à inflação. É claro que se o cenário externo piorar mais, a desaceleração da economia pode segurar a inflação, mas hoje vale a pena proteger parte do capital. Uma alternativa são os papéis públicos NTN-Bs, que pagam entre 5% e 6% ao ano mais o IPCA.

Por Jandson Araújo.
@araujojand
araujo_economy@hotmail.com
Participante do Grupo de Estudo em Finanças GEFin, UFPE – CAA.
Fontes: Economática e Kitco.

Por Emanoel Glicério | Marcadores: ,

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