Atendendo ao pedido: mais do que um pouco de atenção

Há alguns dias foi publicado nesse blog um artigo bem interessante que nos convoca à reflexão sobre o voto no segundo turno. Trata-se do texto “Gostaria de pedir a todos um pouco de atenção” de Sue Helen Leite. Felicito a autora por colocar a discussão política no nível que ela merece: no nível das idéias, projetos e propostas. No entanto, acredito que a autora distorceu alguns fatos.

Na tentativa de expor outro ponto de vista sobre o que diferencia os dois candidatos, compartilho com vocês minhas impressões sobre alguns pontos.

Começo refletindo sobre a pergunta que Sue Helen faz “Como um país poderá pensar e ser gerido por uma única pessoa, com um único pensamento por 20 anos?”, a qual ela responde sugerindo que ficaremos igual à Cuba e ao Maranhão.

Primeiro, é enorme a diferença entre os sistemas políticos brasileiro e cubano, aqui a mudança de governo está assegurada por eleições transparentes que foram seguidas à risca durante o governo Lula. Votar no mesmo partido em eleições seguidas nunca representou uma ameaça à democracia, é tanto que o PSDB está no governo paulista há 16 anos e ninguém diz que o estado São Paulo vive uma ditadura.

Segundo, é necessário muito esforço para não reconhecer a importância dos programas assistencialistas do Governo Lula para a economia do país como um todo. Esses programas, além de terem o grande mérito de ter tirado milhões de brasileiros da situação de pobreza em que se encontravam, serviram para ampliar o mercado interno e segurar a economia brasileira enquanto muitos países ricos sucumbiam na crise econômica de 2008. A meu ver, esse governo não é populista, seus programas sociais estão muito bem articulados com o fortalecimento econômico.

Porém, acredito que o que está em jogo mesmo nessa eleição, para além das promessas de campanha, são duas concepções distintas de projeto de país, sobre como o governo deve agir para melhorar a vida das pessoas. É essa escolha que estaremos fazendo no dia 31 de outubro. Temos que estar consciente disso.

Dilma, assim como Lula e o pensamento de esquerda, representa um governo que realiza grandes gastos sociais, que incentiva além dos grandes industriais, os pequenos e médios empreendimentos, que são tantos na nossa cidade.

Representa a expansão da educação pública, com a criação de mais universidades e a opção por implantá-las nas cidades do interior, que faz uma política externa que não se humilha diante dos países ricos, que defende e revitaliza as empresas públicas, que dá espaço para os movimentos sociais, que amplia o direito das minorias.

Por outro lado, o Serra, assim como o ex-presidente Fernando Henrique e a direita , representam o pensamento conservador e a visão elitista da economia, que prima pela desnacionalização das empresas brasileiras, que incentiva o monopólio, prioriza o capital financeiro em detrimento do capital produtivo que gera empregos, que flexibiliza as leis trabalhistas, atribuindo ao mercado à capacidade de melhorar a vida das pessoas.

Não há candidato do bem ou do mal, o que há são duas visões em disputa.

Como eu não acredito que o bom desempenho do mercado resolve os problemas da vida pública, e Santa Cruz é um grande exemplo disso – onde o comércio é cada vez mais forte e a administração pública cada vez mais fraca, eu escolho a visão de um governo que provou que cuida das pessoas.

Não é a perpetuação de um pensamento único o que Dilma representa, ela representa a continuidade de um projeto de país que vem dando certo, que é aprovado por mais de 80% da população brasileira. E como eu acredito que o Brasil está no rumo certo, eu voto Dilma Presidente.

Clarissa Carvalho
Mestranda em Ciência Política UFPE

Leia aqui o artigo de Sue Helen Oliveira Marins Leite, compare com o de Clarissa Carvalho e concordando com um ou outro envie seu comentário ou artigo para ser publicado para o e-mail emanoeldeda@hotmail.com

Por Emanoel Glicério | Marcadores: , ,

0 comentários: