A HISTÓRIA “QUASE-NÃO-OFICIAL” DO TEATRO MUNICIPAL

ou

UMA COMÉDIA SEM A MENOR GRAÇA

Direção, Elenco e Equipe Técnica do espetáculo "Brincar de Viver"

2º ato: Animação e expectativa nas artes cênicas

Com a eleição de Raymundo Aragão Filho, fui convidado a ocupar a Diretoria de Cultura da Secretaria de Educação do Município. Embora com algumas resistências de minha parte, em função da ausência de apoio oficial à cultura, de que falei antes, aceitei o cargo, primeiro para não me cobrar depois de ter tido a chance de fazer algo e ter me negado; depois, para tentar realizar algum trabalho que de fato melhorasse a situação cultural do município.

O foco sempre foi, desde o início, a construção do Teatro Municipal, e a instalação da Diretoria de Cultura nesse prédio; procuramos nos articular para isso, desde que assumimos a Diretoria. Mas a coisa nunca foi fácil, e não dava para ficar só esperando, indefinidamente, as atitudes do poder público. Assim, montamos o Projeto “Teatro Todo Mês”, através do qual trouxemos para o Colégio Cenecista espetáculos de vários lugares de Pernambuco e da região – e haja força no braço para carregar carteiras...

Paralelamente ao trabalho na Diretoria, criamos a Compañia di Projectus Cênicos, cujo primeiro espetáculo, “Brincar de viver”, uma colagem de vários textos literários e musicais, revelou-se num estrondoso sucesso, graças ao talento de seu Diretor, Marcondes Moreno, e de um elenco de primeira, composto por Márcio Rogério Nunes (hoje Márcio Maracajá), Pil Queiroz, Ana Maria Barros, Zinha Andrade, Marcelo Silva (hoje Marcelo Santa Cruz) e Rejane Barros. A peça foi a grande vencedora do FETEAG (Festival de Teatro do Agreste, em Caruaru), no ano de 1994, arrebatando nada menos que oito prêmios, sendo, em seguida, selecionada para o projeto “Janeiro de Grandes Espetáculos”, no Recife.

Animados pelos recentes sucessos, avivava-se o desejo da construção de um Teatro Municipal, e essa idéia tinha a simpatia de alguns setores do governo municipal, através dos quais as primeiras articulações foram realizadas. Na verdade, esse assunto ia e vinha, na pauta do dia, em cada reunião ou comentário de corredores que se fazia. Havia tempos que vinha à tona com força total, e havia grandes hiatos de silêncio e esquecimento.

Um dos títulos desta matéria é uma história “quase-não-oficial” porque o que passo a relatar agora é apenas um lado do acontecido: o lado que vivenciei, em que estive presente. Houve, decerto, muitas águas passando por baixo de pontes, muitos acordos e acertos que não chegaram a ser conhecidos de todos, nem mesmo (ou principalmente) de mim. Aprendi que, em se tratando de política, as decisões são efetivamente tomadas nos bastidores, nas caladas da noite, nas visitas particulares, só vindo a público o fato consumado – embora maqueado de decisão democrática.

O fato é que, um belo dia, eu soube que o prefeito havia concordado em iniciar a construção do Teatro. Como eu estava envolvido com gente de teatro em Caruaru e Recife, fui solicitado a articular conversas de ordem técnica com essas pessoas, para darmos início ao tão sonhado espaço cênico santacruzense.

Os primeiros com quem mantive contatos foi o casal de arquitetos Haroldo Bernardino e Rosa Ludermir, a quem conhecia pelo envolvimento dela com o FETEAG, do qual eu era um dos coordenadores. Haroldo veio a Santa Cruz do Capibaribe, reunimo-nos com o prefeito, visitamos alguns possíveis espaços... O melhor lugar, na opinião do arquiteto, seria no final da Av. 29 de Dezembro, ao lado do trevo, mas foi logo descartado, alegando-se que aquele espaço estava reservado para a construção de um ginásio de esportes – que acabou não saindo.

Mas o que me deixava incomodado é que as conversas eram mantidas, mas não havia uma determinação firme nesses contatos. A coisa ficava meio frouxa, sem amarração. E Haroldo voltou para Caruaru, colocando-se à disposição para a elaboração do projeto arquitetônico, mas nunca mais a prefeitura entrou em contato com ele. Na época, suspeitei (e ainda tenho essa opinião hoje) de que já havia alguns lances rolando, numa esfera a que eu não tinha acesso, num escalão superior, e que já havia decisões tomadas...

Volto a falar sobre esses acordos “em off” no próximo artigo, quando tratarei mais especificamente da “novela cômica” que foi a construção do prédio.

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Por Edson Tavares

Por Emanoel Glicério |

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