JOÃO FIRMINO: 3 ANOS DE SAUDADE


Sábado que vem é um dia especialmente triste para mim. São três anos que se completam sem a presença física do meu pai na vida da nossa família. Então, como forma de homenagem, gostaria de repartir sua vida com os leitores desta coluna. Não é uma vida extraordinária, cheia de grandes acontecimentos, nem ele foi uma personalidade socialmente importante... mas foi (e ainda é) o homem mais importante da minha vida, o grande responsável pelo muito que sou hoje, graças ao seu caráter digno, sua simplicidade (às vezes até rudeza) e seu incondicional amor a sua família.
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JOÃO FIRMINO DA COSTA nasceu no Sítio Situação, município de Taquaritinga do Norte-PE, no dia 27 de janeiro de 1929, um dos sete filhos de José Firmino da Costa e Amara Cordeiro de Jesus.
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Como seus irmãos e irmãs (Raimundo, Guilherme, Jacinta, Margarida, Maria de Lourdes e Severino – este último, pai do ex-vereador Fernando Costa), João logo cedo dedicou-se à agricultura, em terras do seu pai, nos sítios Situação e Mateus Vieira, onde estudou as primeiras letras, sendo obrigado a abandonar a escola tão logo aprendeu a soletrar as palavras e assinar o nome.
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De índole trabalhadora, na década de 40 empreendia viagens de caminhão para Recife, em companhia de seu irmão Guilherme. Anos mais tarde, foi tentar a vida no Sudeste do Brasil, passando uma temporada inicialmente em Minas Gerais, onde morou em cidades como Sete Lagoas, Montes Claros e Januária, trabalhando ora como camioneiro, ora como ajudante de cozinha de grandes restaurantes, o que lhe rendeu elogiosas qualidades de cozinheiro.
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Em seguida, viajou a São Paulo, onde, na cidade de Osasco, trabalhou em indústria têxtil. Por esse tempo (década de 50), conheceu a jovem professora Maria José Tavares de Lima, sobrinha da conhecida mestra e florista Tomázia Tavares, que começou a namorar, antes de partir novamente em busca de trabalho, desta vez no Centro-Oeste do país.
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No final dos anos 50, João Firmino participou, como “candango”, junto a inúmeros nordestinos que se deslocaram para o planalto central, da construção de Brasília, fato que sempre lhe encheu de orgulho. No dia 21 de abril de 1960, dia da inauguração da nova capital federal, João encontrava-se lá, prestigiando o evento.
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Voltando para Santa Cruz do Capibaribe, ultimou os preparativos para o casamento com a professora, que passou a assinar Maria José Tavares Costa; a cerimônia matrimonial aconteceu na cidade de Catende-PE.
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O casal teve seis filhos: Guilherme (1962 – morto prematuramente), o professor Edson Tavares (1963), Edna (1965 – morta prematuramente), Célia Maria (1965), o professor Edilson Tavares (1967) e Carmem Lúcia (1969 – natimorta); e cinco netas: Aline e Sara (filhas de Edson), e Winnie, Íris e Bianca (filhas de Edilson).
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Possuidor de rara habilidade e grande criatividade, João fixou residência definitivamente em Santa Cruz, onde ficou conhecido pela confecção de “combongós”, artefatos de cimento com que se promovia a claridade de residências e a decoração dos muros da cidade, nas décadas de 60 e 70. Trabalhou também como doceiro e cambista de jogo de bicho.
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Bastante loquaz, conquistou grande quantidade de amigos em Santa Cruz do Capibaribe; freqüentava assiduamente as antigas “malas” da Rua Grande, tendo sido amigo tanto de anônimos e humildes quanto de prefeitos, a exemplo de Braz de Lira e do Padre Zuzinha.
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De rígidos princípios de honestidade e moralidade, educou os três filhos, na simplicidade de seus poucos conhecimentos escolares, mas infinitos saberes da universidade da vida, em parceria com sua sempre fiel esposa, a professora Maria José Tavares, esta bastante conhecida na cidade pela sua competência profissional. Apesar de não ter enriquecido, proporcionou uma vida digna a sua família, procurando investir principalmente na educação de todos; seu principal legado foi o curso Superior de sua esposa (Pedagogia) e de seus dois filhos Edson (Letras) e Edilson (Ciências Sociais), pois queria que todos tivessem acesso à escola, que ele não teve.
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Na década de 80, mudou-se para a cidade de Caruaru, onde viveu até o final da vida, fazendo periódicas visitas a Santa Cruz do Capibaribe, que sempre considerou como sua terra natal, e à qual não cessava de demonstrar seu amor.
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Acometido de várias complicações de saúde, entre elas diabetes e problemas cardíacos, João Firmino viveu os últimos anos de sua vida em companhia de sua esposa, sendo acompanhado pelos três filhos, que viam sua vitalidade esvair-se cotidianamente; até que, no dia 7 de novembro de 2006, às 8h30min da manhã, João Firmino faleceu, aos 77 anos, em sua residência, na Rua São Bento do Una, COHAB I, em Caruaru, tendo sido sepultado no dia seguinte, no cemitério Parque dos Arcos.
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O exemplo maior deixado por João Firmino da Costa é de que a honestidade e a dignidade são bens de um valor inestimável, e que a amizade e a simpatia na conquista de amigos é o melhor combustível para uma vida feliz, mesmo que simples.
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Por Edson Tavares

Por Emanoel Glicério |

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