A crise no setor têxtil

Santa Cruz do Capibaribe-PE, 20 de outubro de 2011.

O setor têxtil vem passando por uma crise bastante profunda durante todo o ano de 2011. Em nossa região, temos como parâmetro as feiras de confecções que acontecem semanalmente. Por experiência de bastante tempo, sabemos os períodos de sazonalidade, onde percebemos meses com muitas vendas, e outros mais fracos, isso no decorrer de todos os anos.

Mas esse ano, o comercio vem amargando semanas seguidas de feiras fracas. Estamos na segunda quinzena de outubro, época em que normalmente teríamos feiras com grande fluxo de compradores advindos de todas as regiões, o que infelizmente não aconteceu.

É sabido que o setor têxtil vem sofrendo com a alta do dólar, com a crise dos bancos europeus, com as enchentes na Ásia e com crescimento da China, o que provocou um aumento na matéria-prima, numa época difícil de repassar esses aumentos. Temos também a entrada de confecção e tecido vindos da China, o que hoje é uma realidade que precisamos encarar e achar uma solução pra isso.

Nossa cidade é conhecida como geradora de emprego, cujo índice girava em torno de 3% de desempregados. Hoje o que nós constatamos são as confecções em pleno final de ano diminuindo seus quadros de funcionários, com exceção de algumas que continuam produzindo e vendendo sem maiores problemas.

Como se não bastasse, começamos a semana com a imprensa de todo Brasil divulgando nossa cidade como se todos os produtores do pólo utilizassem lixo vindo dos EUA, enquanto o seu principal responsável simplesmente sumiu de nossa cidade, vindo a aparecer depois do estrago feito pela mídia.

Não estou aqui para julgar ninguém. Apenas luto para defender os milhares de confeccionistas do pólo, que assim como eu, vivem da economia têxtil cada vez mais fragilizada. O nosso desejo é apenas saber quem são os verdadeiros culpados, e que eles sejam punidos severamente, pois somente dessa forma teremos novamente nosso pólo livre dessa culpa pelo qual não concorremos para isso.

Depois de superado esse entrave do lixo hospitalar, é hora de buscarmos alternativas para encarar essa crise, pois o que percebemos é a diminuição das vendas em nosso pólo, acabando com uma economia que ainda não se deu conta do tamanho do estrago causado por tantas intempéries que se acumularam pelo caminho durante todo o ano.

Por Marcelo Diógenes

Por Emanoel Glicério | Marcadores: , , ,

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