A construção de uma super ferrovia e a decolagem do sertão nordestino

Lançada por dom Pedro II, a Transnordestina começou a sair do papel no governo Lula – mas só 40 dos 1.728 quilômetros foram feitos. Agora os responsáveis pela obra aceleram para terminar tudo até 2013. A movimentação de máquinas e operários é intensa na zona rural de Salgueiro, no sertão pernambucano, a 518 km de Recife, a 367 km de Santa Cruz do Capibaribe e a 382 km de Caruaru. Um gerador acende seus refletores e o trabalho prossegue madrugada adentro, nos últimos meses, tem sido essa a rotina nos canteiros de obras da Transnordestina, a ferrovia que vai ligar a cidade de Eliseu Martins, no sul do Piauí, aos portos de Suape, em Pernambuco e de Pecém, no Ceará. O ritmo frenético é ditado pelo atraso, pois menos de 2,5% dos quilômetros estão prontos, o objetivo é concluir a ferrovia durante o governo de Dilma Roussef.

Tudo que envolve a Transnordestina é grandioso, em valor de investimento, é uma das oito ferrovias em projeto ou em construção no mundo segundo a CG-LA. É certo que se trata de um dos projetos de infra-estrutura mais antigos do país. Do ponto de vista técnico, construir uma ferrovia é algo bem mais simples do que fazer uma usina hidrelétrica, por exemplo. A diferença é que as obras numa usina são concentrada em um só local, enquanto os trabalhos em uma ferrovia se espalham por centenas de quilômetros. Para ganhar tempo, as obras acontecem simultaneamente em 25 frentes de trabalho, agrupadas em tornos de nove canteiros. A Transnordestina foi projetada para ser uma ferrovia de classe internacional, para alcançar este status, deve ter bitola (distância entre os trilhos) larga, baixo custo de manutenção e alta produtividade.

Salgueiro abriga a administração da obra e tem um papel crucial na logística. E é a partir dali que são distribuídos os materiais e equipamentos que abastecem os canteiros. Em Salgueiro foi construída a maior fábrica de dormentes de concreto do mundo – parceria entre TLSA e a construtora Odebrecht, responsável por mais de 70% da obra. A carência de mão-de-obra é um dos principais gargalos, a taxa de desemprego em Salgueiro caiu de 30% para 6%. Para atenuar o problema a Transnordestina vem capacitando operários em cursos oferecidos pelo SENAI. Com a escassez de profissionais, mulheres desempenham funções tipicamente masculinas.

Juntas, as obras da Transnordestina e da transposição do São Francisco mudaram a cara de Salgueiro. A cidade tem hoje 60.000 habitantes, um crescimento de 25% 3m cinco anos. A arrecadação de ISS no período cresceu 300%. Deve-se evitar ai um minguamento quando as duas grandes obras forem concluídas, pois Salgueiro tem tudo para se tornar um pólo de logística no Nordeste, a cidade tem localização estratégica na confluência das principais capitais nordestina. Para tirar proveito dessa posição, o governo pernambucano autorizou a empresa Libra Logística de São Paulo a realizar um estudo para a implantação de uma plataforma logística em Salgueiro. Quando ficar pronta a ferrovia ajudará a melhorar o perfil de transporte de cargas do país e a reduzir os fretes. A Transnordestina terá capacidade para transportar 30 milhões de toneladas (entre elas minério de ferro, soja da região de Mapito, e as frutas da região de Petrolina).

A partir de 2014, quando deverá ser concluída as obras de ampliação do canal do Panamá, os portos de Suape e Pacém se tornaram alternativas de escoamento para a Ásia. Tudo isso mostra a importância estratégica da Transnordestina. Falta saber quanto tempo será preciso para que a promessa de dom Pedro II – de Lula – se torne, finalmente, realidade.

Por Jandson Araújo –
@araujojand
Discente do Curso de Ciências Econômicas da UFPE – CAA.

Por Emanoel Glicério | Marcadores: ,

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