Cuidando do próprio dinheiro

Diz a sabedoria popular que “dinheiro não é tudo na vida”. Eis uma informação mais que correta. De nada adianta a pessoa ser equilibrada financeiramente, ter muito dinheiro e ser infeliz, padecer de uma doença incurável, não saber tirar benefícios da situação que possui. Mas também é verdade que poucas pessoas conseguem viver bem, sem preocupações, se não tiver o mínimo de equilíbrio com o dinheiro que ganha. Em outras palavras: o dinheiro não traz felicidade, mas a desorganização e falta dele traz no mínimo, grandes preocupações. Saber o valor do dinheiro é algo fundamental, mas que, de uma maneira geral, tem faltado para boa parte dos brasileiros.

Na visão do pesquisador e educador financeiro Thiago Dias Quirino, as pessoas têm dificuldade em administrar o próprio dinheiro justamente por desconhecer o valor dele. “Pela minha experiência, as pessoas não têm a ideia do quanto vale realmente. Elas sabem o quanto ganham, mas não conseguem ter o controle para gerir o salário durante o mês. E o resultado é que, normalmente, é pouco salário para o tanto mês e aí precisam recorrem a empréstimos, linhas de crédito para suprir a falta dele”, explica.

O endividamento é justamente um dos principais problemas responsáveis pela falta de cuidados com o próprio dinheiro, que muitas vezes é gasto por impulso, sem pensar. “A pessoa passa alguns dias sem dinheiro e, muitas vezes, quando ganha o salário, gasta ele por impulso. Acha que porque recebeu está com dinheiro sobrando e não tem controle. Tem uma pesquisa recente que indica que 64% dos brasileiros se encontram endividados”, revela.

São várias as razões que podem explicar o porquê do descontrole por boa parte dos brasileiros - e uma das principais é a falta de hábito de se ter uma educação financeira para as pessoas no país. Segundo o especialista, no Brasil há um “analfabetismo financeiro”, faltam políticas voltadas para este tipo de educação. “As crianças desde cedo não aprendem a cuidar do assunto, aprendem apenas a consumir, a sempre querer uma coisa nova. Isso ajuda a provocar o descontrole”, analisa Quirino.

Mudar essa situação é extremamente possível, mas é necessária uma mudança de hábito por parte da parcela da população que não consegue manter o controle. “As pessoas deveriam passar todos os gastos e receitas numa planilha, saber exatamente o que ganham e com o que gastam, para assim controlar melhor o dinheiro e saber o que podem e o que não podem fazer”. Poupar hoje significa consumir mais e melhor no futuro.

Por Jandson Araújo.
@araujojand
araujo_economy@hotmail.com
Discente do Curso de Ciências Econômicas da UFPE – CAA.

Por Emanoel Glicério | Marcadores:

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