A vitória da pernambucana Larissa Oliveira no programa Soletrando do Caldeirão do Huck no último sábado (20/06) vem confirmar uma realidade que muitos ainda insistem em não ver: o modelo tradicional de educação (com provas, notas, disciplina e cobrança de resultados) funciona!

Penso que o maior problema de nós brasileiros é a mania de copiar modismos pedagógicos e didáticos que vêm de fora, sem critério nenhum. A meu ver, é melhor utilizar o velho e tão criticado modelo tradicional que tem falhas, mas dá certo, do que se aventurar com mudanças que têm provocado resultados desastrosos.
O ônus de nossa mania de copiar modismos está aí para todo mundo ver: alunos que chegam ao ensino médio sem saber escrever ou interpretar textos simples. São analfabetos funcionais.


Neste contexto, dois equívocos são evidentes: seguir a orientação do psicologismo barato segundo o qual estudo tem que rimar com prazer; e a cultura da aprovação automática.
A moda, no Brasil, há muito tempo, é procurar unir o lúdico e o didático, aprendizagem e prazer. Ora, a escola não é circo ou parque de diversão: é lugar de empenho, esforço, dedicação, compromisso. Ali se constroem os profissionais e os cidadãos do futuro para atuar em um mundo cada vez mais complexo, cada vez mais letrado, cada vez mais exigente. Não é lugar para brincadeira.


Já a cultura da aprovação automática só é boa para as estatísticas do governo, mas trás danos por vezes irreparáveis para a vida dos estudantes, perpetuando sua condição de marginalização.
É claro que as questões discutidas aqui só dão conta de parte do problema. Outras questões são igualmente importantes como a qualificação profissional do professor, a valorização do magistério, melhoria das condições de trabalho e uma gestão escolar que funcione minimamente. É urgente a necessidade de repensarmos nosso modelo educacional e agirmos enquanto é tempo. O mundo não vai nos esperar.

Marcelo Clemente
Doutorando em Linguística (UFPE)

Por Emanoel Glicério |

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