Toda essa balbúrdia da crise internacional, no final das contas, precisa servir para algo verdadeiramente produtivo, é aquela velha história do lado bom que toda (ou quase toda) situação ruim tem. Pois bem, estou na torcida para que a crise internacional sirva para levantar o debate das relações do trabalho no Brasil, e que o país acorde de uma vez por todas desse pesadelo para o desenvolvimento que representa a patogênica legislação trabalhista brasileira.


E quando o assunto é legislação trabalhista brasileira, o professor José Pastore é uma sumidade. Pra quem não conhece a fera, o professor Pastore é Doutor Honoris Causa em Ciência e Ph. D. em sociologia pela University of Wisconsin (EUA). É professor titular da Faculdade de Economia e Administração e da Fundação Instituto de Administração, ambas da Universidade de São Paulo. É pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e consultor em relações do trabalho e recursos humanos.
Com 35 livros e mais de 500 artigos publicados, o professor José Pastore em um artigo escrito no começo de março de 2009, consegue dar uma aula extraordinária das relações do trabalho no Brasil com apenas um dos parágrafos do artigo, parágrafo que termina com uma pergunta que deve ser bem refletida. Vejamos o que o professor Pastore diz:
Os parlamentares de Brasília têm uma verdadeira paixão pela área trabalhista. Há mais de dois mil projetos de lei tramitando no Congresso Nacional. A esmagadora maioria visa apenas gerar direitos sem a menor preocupação com os deveres, com as despesas e com a competitividade. Basta observar que na Constituição Federal, a palavra "direito" aparece 76 vezes enquanto que a palavra "dever" aparece apenas quatro vezes. As palavras "produtividade" e "eficiência" aparecem duas e uma vez, respectivamente. O que fazer com um país que tem 76 direitos, quatro deveres, duas produtividades e uma eficiência?
Mais do que a crise americana, mais do que a crise dos países ricos, mais do que a crise do desemprego, espero que no futuro a crise internacional seja lembrada como a crise que ajudou a modernizar a patogênica legislação trabalhista brasileira, uma legislação que sabota o desenvolvimento.
Se pensarmos a legislação trabalhista brasileira como de fato ela é, ou seja, uma legislação que faz com que os empreendedores tenham receio (e até medo) de empregar. Não será difícil perceber que estamos diante de uma legislação trabalhista que desemprega mais do que qualquer crise planetária.
Do Blog do Bruno Bezerra

Por Emanoel Glicério |

1 comentários:

  1. Anônimo disse...:

    nos aqui em santa cruz temos medo de abrir firmas e gerar mais empregos com carteira,porque somos caçados pelo ministerio do trabalho é melhor viver na clandestinidade que pagar imposto para sustentar pilantras iguais aos nossos politicos.