O tempo voa. Lá se vão três anos da morte do ex-governador Miguel Arraes. Soube da notícia em Washington um dia após chegar para visitar meus filhos Felipe e André Gustavo, que moram há 12 anos nos Estados Unidos. De lá mesmo escrevi uma crônica rememorando alguns episódios que vivenciei ao lado dele.

Arraes sempre me despertou curiosidade e fascínio. Certa vez, numa longa conversa com ele num hotel em Brasília, perguntei se topava gravar um longo depoimento para um livro. A velha raposa fixou os olhos em minha direção, tomou um gole de uísque, tragou o seu cachimbo e sapecou:


“Magno, essa estória de livro de memórias é coisa de velho!” E deu uma gostosa gargalhada. Ele beirava a casa dos 80 anos de idade. Já na campanha que o ex-deputado Marcus Cunha (PMDB) disputou a Prefeitura do Recife e perdeu para Joaquim Francisco, na época PFL, em meio a uma coletiva no salão verde da Câmara, perguntei a razão dele não revelar entusiasmo pela candidatura do aliado.

Novamente, me olhou com cara de reprovação e disparou: “Meu caro, eu já perdi as contas das eleições que disputei e nunca me empolguei com minhas candidaturas, imagine com a dos outros!” E deu, para variar, outra boa gargalhada, para delírio da Imprensa nacional que o assediava.

Arraes era assim. Muitos o achavam chato na relação, mas com ele nunca tive dificuldades de acesso. Certa vez, depois de um dia cansativo em Belo Horizonte, onde havia sido deslocado para cobrir uma reunião de governadores, tive a ousadia de pedir uma carona no jatinho dele até Brasília.

Brincando, ele me disse: “Só dou carona se você se comportar bem!” Ele se referia, claro, ao meio jeito de repórter inquieto, que numa simples conversa consegue arrancar uma manchete. E fomos lá – ele, o ajudante de ordens e eu. Assim que a aeronave decolou, abriu um Jhony Walker selo preto e tomou a primeira dose até chegar à terceira em apenas uma hora de vôo. E quanto mais bebia, mais revelava bastidores da sua trajetória política.

Como ele tinha uma péssima dicção e o barulho do jatinho era ensurdecedor, eu ria junto com ele, para fazer de conta que estava compreendendo. De tudo que me revelou naquela tarde, nunca esqueço das mágoas manifestadas em relação ao hoje senador Jarbas Vasconcelos.

“O que fiz por Jarbas, ele jamais poderia ter debandando para o outro lado e nos abandonado”, disse, textualmente, segundo as poucas anotações que fiz durante o vôo.

Tenho outras boas experiências no meu convívio com Arraes e por isso estou escrevendo um livro com o sugestivo título: “As estórias que Arraes não contou”. Já gravei mais de 40 entrevistas com as mais diversas personalidades que o mito conviveu no plano nacional. Quando a campanha passar, voltarei a me dedicar à obra.

Vale à pena!

Do Blog do Magno

Por Emanoel Glicério |

5 comentários:

  1. Anônimo disse...:

    esse véi já roubou muito

  1. Anônimo disse...:

    O grande Miguel Arraes quem tem suas obras espalhadas em nossa cidade.

  1. Anônimo disse...:

    Grande homem.O primeiro anônimo é um estúpido e grosseiro que não respeita nem a memória dos que se foram.Além do mais,de forma caluniosa.Miguel Arraes foi um homem de honestidade única.O único estadista que Pernambuco deu ao Brasil no século passado.

  1. Anônimo disse...:

    Foi o governador q trouxe alguma obras estruturadoras pra nossa cidade, os outros não fizeram nem fazem porra nenhuma.

  1. Anônimo disse...:

    Foi o melhor governador que Pernambuco ja teve. Reconhecido no Brasil inteiro. Honesto e de carater. Mas seu neto Eduardo Campos, e atual governador de pernambuco, junto com o nosso ilustrismo Oseias Morais e sua mulher Paula Morais, fez o favor de manchar a imagem de Miguel Arraes, com o escandalo dos precatorios.
    Para o ignorante do primeir comentario, que n conhece a historia de Pernambuco e do Brasil,ta ai um pequeno resumo da tragetoria de Miguel Arraes como governador.