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“A luta pela emancipação começou em 1929, quanto se preparou aqui um memorial para a Câmara dos Deputados naquela época, hoje Assembléia Legislativa, memorial feito pelo advogado Bezerra Leite. Esta campanha foi encabeçada por Luiz Alves da Silva, José Moraes da Silva, Manuel Teodoro Aragão e Antonio Alves Aragão (todos já falecidos), e eu. Participei não apenas desta, mas de todas as lutas. Nessa época, o governador era Estácio Coimbra. A Câmara dos Deputados não votou o projeto e este foi derrotado por decurso de prazo.

Em 1935, depois da Revolução [que depôs o Presidente da República Washington Luís, impediu a posse do presidente eleito Júlio Prestes e pôs fim à República Velha], iniciamos um novo movimento – o Estado Novo nos dava esse direito – arranjando quinhentos eleitores em Santa Cruz, no território que pretendíamos formar o município. Foi quanto veio o golpe [de Getúlio Vargas] de 11 de novembro de 1937, desapareceu tudo novamente, porque o golpe acabou com a Câmara, acabou com tudo. Em 1938, veio a lei que permitia as localidades como Santa Cruz se tornar município, exigindo-se apenas que tivesse duzentas casas de moradia na sede da vila que pretendia se tornar município.

Mandamos o memorial ao interventor Agamenon Magalhães, que o mandou para a Comissão de Divisão Administrativa, da qual era presidente Mário Melo, o maior inimigo de Santa Cruz do Capibaribe naquela época, ele era o técnico que fazia a divisão territorial e administrativa do Estado. Ele deu o parecer contrário.

Passou. Lá vem 1943. Pleiteamos novamente e de novo Mário foi contra. Perdemos. Em 1948, já havia Assembléia Legislativa, pleiteamos novamente. Foi quanto apresentou o projeto o deputado Dr. Tabosa de Almeida. Na época, ficou contra, aqui em Santa Cruz, contra a emancipação política: Manoel Rufino de Melo, Manoel Caboclo e João Pereira Sobrinho, que foram a Severino Arruda, então prefeito de Taquaritinga, exigindo dele que fechasse questão contra a criação do município, como me informou pessoalmente Severino Arruda, que era contra porque era uma exigência desses amigos dele.

Então o dep. Osvaldo Lima Filho, que era o líder da bancada, fechou questão contra Santa Cruz. Tabosa de Almeida, por mais esforços que fizesse – e ele fez um esforço tremendo – juntamente com Carlos Rios, Laércio Sampaio e outros deputados da UDN naquela época, não passou o projeto.

Em 1953, fizemos nova investida. Essa gente toda que estava contra já estava de acordo, porque o governador Etelvino Lins chamou eles e disse que queria fazer o município de Santa Cruz e o de Toritama, quer eles quisessem ou não. Foi quanto finalmente foi criado o município. Era 29 de dezembro. A verdadeira história é esta!"

[Depoimento concedido em junho de 1986]

O depoimento acima faz parte dos arquivos do Jornal Capibaribe, editado durante anos na Capital da Sulanca e que registrou fatos importantes e entrevistas históricas de inúmeras personalidades.

Por Emanoel Glicério | Marcadores: , ,


Após o resultado das eleições já ouvi muitas frases dignas de serem utilizadas em um balde de lavagem, daqueles que usavam para servir água aos alunos da Escola Ivone Gonçalves (Antigo Cenecista), e as frases citadas se dividem entre dois grupos de autores: Aqueles derrotados que não sabem explicar o que ocorreu e aqueles vitoriosos que apenas torciam pelo seu grupo, esquecendo a cidade.

Entre os derrotados as velhas frases: “Foi roubo”, “Vamos anular a eleição”, “Sumiram os votos”, “Compraram a justiça”, e por aí vai, digno de quem não sabe competir e respeitar os resultados das urnas.

Entre os vitoriosos o conteúdo das frases é pior ainda: “Eu só queria era ganhar”, “Derrubamos o outro lado, agora tanto faz”, “Votei foi pra derrubar fulano”, e por aí vai.

Até parece que o que importa é a disputa entre Azuis e Vermelhos, e a cidade que se exploda. Só que para o prefeito eleito o desafio é outro, ele tem que fechar os ouvidos para frases e conselhos de ‘aliados’, se brindar de críticas insanas de adversários e focar em uma única meta: “Ser maior que Raymundo”.

Sei que ao escrever essa opinião posso chocar algumas pessoas que veem em Raymundo Aragão um ser intocável na política local, e concordo que ele é único e até hoje inalcançável no quesito competência política e gestão pública. E é justamente por isso que Edson Vieira tem que focar como meta ser maior que Raymundo, não em relação a uma mera disputa política para ver quem foi o melhor prefeito da história, mas porque a cidade necessita, Santa Cruz foi planejada por Raymundo para ser uma grande cidade, só que após suas gestões tivemos o azar ou a falta de competência de escolher melhor os nossos prefeitos e ficamos reféns de lideres medíocres, com gestões no máximo regulares.

Não é a esses gestores medíocres, sejam Azuis ou Vermelhos, Cabeções/Cabecinhas ou Bocas Pretas, Taboquinhas ou Onda Azul que o futuro prefeito deve se espelhar, Edson tem o desafio de beber na fonte da sabedoria de Raymundo Aragão, e ser maior do que ele não por uma questão política, mas porque a Santa Cruz de hoje é muito maior que a Santa Cruz de ontem.

Chegou a hora do Azul e do Vermelho, dos Bocas Pretas e Taboquinhas, se despirem da estupidez política e olharem para essa cidade como Raymundo olhou um dia, e ajudarem o novo prefeito a ser maior que Raymundo, e sei que essa seria a maior homenagem ao nosso herói da independência.

Por Emanoel Glicério | Marcadores: , ,


Centenário de Raimundo Aragão

A eleição de 1968 foi o divisor d’água na política santa-cruzense, até então existia um clima de cordialidade entre vencedor e vencido, inclusive com cumprimentos pessoais entre os adversários políticos no pós imediato eleitoral e na posse.

O grupo político de Raimundo Aragão, seguindo o critério de simplicidade, honradez e determinação política de dar seguimento ao ciclo desenvolvimentista, implementado por Raimundo, escolheu o jovem Gaudêncio Feitosa candidato a prefeito e seu vice o Sr. Francisco Glicério da Silva (Chico de Deda), tendo os adversários convencido o até então apolítico Pe. Zuzinha a se candidatar a prefeito.

Até então, Pe. Zuzinha tinha um perfeito relacionamento com Raimundo Aragão, o qual era vizinho (o Padre era padrinho de sua filha Socorro e tinha um irmão, o Sr. Guilherme casado com uma irmã de Raimundo, Sra. Inês, ambos radicados no Rio de Janeiro, os quais visitamos em 1970 e tendo ele retribuído a visita em 1978, um casal feliz e alegre).

Era o Pe. Zuzinha uma pessoa inteligente, desprovida de qualquer apego às coisas materiais, tudo o que possuía dava aos despossuídos de qualquer espécie, até a batina era desgastada e desbotada pelo tempo. Tinha como estilo de vida a simplicidade e solidariedade, no melhor estilo franciscano.

Aconteceu do Pe. Zuzinha aceitar a candidatura a prefeito, tendo ocorrido à maior movimentação política em termos proporcionais em toda a história de Santa Cruz do Capibaribe. O padre não participava de nenhum movimento político, social e religioso (na época do Concílio Vaticano II, nas cidades de Puebla e Medellin) tendo Dom Helder sido perseguido pela ditadura, sua casa na Rua das Fronteiras, em Recife, foi metralhada, o assassinato de Pe. Henrique em Recife e outros fatos políticos.  

Existia um verdadeiro culto a personalidade, a música dizia: “Quem é que vai ganhar? É o padre”, e ganhou com o maior percentual até hoje na política santa-cruzense. Não existia nenhuma discussão administrativa, somente o personalíssimo.

Após a vitória estrondosa, não souberam comemorar, agrediram com pedradas as casas das principais lideranças, inclusive a casa de Raimundo Aragão, Santa Cruz no outro dia parecia um cenário de pós-guerra, e solicitaram uma auditoria na Prefeitura, a qual foi realizada pelo exército em 1969 (época do período mais duro da ditadura militar). O então auditor militar compareceu à casa de Raimundo Aragão em uma terça-feira ensolarada, mais ou menos às onze horas do dia, Raimundo Aragão estava ausente e aquele pediu que chamasse sua esposa, quando foi rápido e breve: “Vim conhecer um homem sério e honesto, até os centavos bateram”. O que foi um verdadeiro atestado de honradez a Raimundo Aragão.

Mesmo com os fatos desagradáveis da eleição de 1968, através de amigo comum tentou-se uma composição política na eleição de 1972, aceita pelo senhor Braz de Lira e Raimundo Aragão (suas respectivas esposas eram comadres), com chapa única, sendo Braz de Lira prefeito e Severino Aragão vice (Bilino, irmão de Raimundo). Tendo a cúpula do partido adversário rejeitado esta composição (fato político desconhecido pela maioria da população de Santa Cruz do Capibaribe) e que desmonta determinadas teorias. Dia de domingo, em um fim de tarde, Braz de Lira se encaminha em seu Aero Willys cinza, que só saia em raras ocasiões e se dirige a casa de Raimundo, e comunica-lhe que infelizmente o seu partido não aceitou a proposta.

Santa Cruz do Capibaribe na década de 60 do século passado era desprovida de saneamento básico, no governo Paulo Guerra, Raimundo consegue a construção do açude do Machado, época de uma série de obras, incluindo o Hospital da Restauração no Recife, e conseguiu no governo subseqüente do Dr. Nilo Coelho (Raimundo o conheceu ainda estudante de Medicina devido a ele ser caminhoneiro, transportando mercadoria para armazém de seus pais) a adutora, inaugurada em 1969 poucos meses após a saída de Raimundo da prefeitura, tendo Dr. Nilo Coelho ido à sua residência e dito a ele que quem iria inaugurar o sistema de abastecimento d’água em Santa Cruz seria Raimundo por que esta obra lhe pertenceria, o que de fato aconteceu para constrangimento de seus adversários políticos.

Construiu o calçamento das duas principais ruas da cidade e suas interligações, que permanecem intactas. Começou o saneamento com o canal entre a casa paroquial e a casa de Zé Mestre, deixando todo o projeto de saneamento pronto.

Até esta década (1960) os partos eram praticamente todos domiciliares, tendo Raimundo construído à maternidade (hoje transformada em hospital) e trazido o primeiro médico da cidade e especialista em obstetrícia (existiam poucos profissionais médicos nesta época), Dr. Fernando Gouvêa.

Foi Raimundo Aragão amigo e correligionário de três governadores de sua época, Dr. Miguel Arraes, Paulo Guerra e Dr. Nilo Coelho, o que facilitou a realização de diversas obras.

Agradecemos a Emanoel Glicério, do blog Diário da Sulanca, o espaço democrático para o resgate histórico de nossa cidade, acreditando que sua pessoa continue nesta linha de jornalismo (estando alicerçado nas pessoas de seu Amaro e Chico de Deda).

Homenagem especial ao professor Lindolfo Pereira de Lisboa, pessoa de imensurável saber que escreveu o livro Raimundo Aragão: Sua vida, suas obras, do qual transcrevemos alguns textos, devido a sua bela descrição.

Por Marconi Aragão Florêncio, Médico Angiologista/ Cirurgião Vascular

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Em defesa do debate das idéias

Escrever sobre figuras históricas e sobre ‘mitos fundadores’ certamente chama muita atenção, principalmente quando nos acostumamos a ter uma única visão da história. Consideramos que o objetivo principal do texto “Outro olhar sobre o centenário de Raimundo Aragão” foi trazer alguns aspectos negligenciados sobre uma parte importante da nossa história. Uma visão que não se pretende nem certa nem errada, mas diferente.

Contra os fatos não há argumentos! Mas, a partir deles, é possível fazer as mais diversas interpretações. Em nenhum momento, foi negada a importância dos feitos de Raimundo Aragão para a nossa cidade (e os comentários que foram feitos nesse sentido possivelmente não entenderam o propósito do texto), apenas trouxe questionamentos e reflexões sobre aspectos que não aparecem na história já contada.

Por exemplo, quando fala em nossa emancipação, Gilson não nega a importância de Raimundo Aragão, questiona porque ele é tratado como o único responsável por tal fato. Quando questiona se ele estava à frente do seu tempo, afirmando que ele era contemporâneo das idéias da sua época, citando outros grandes nomes do período, não o critica por isso. Critica sim o fato de que muitos políticos posteriores a Raimundo Aragão tentarem se igualar a ele. Será que isto não é reconhecer sua importância?!

Em outro momento, Gilson escreveu seu trabalho de conclusão do curso de História sobre a cultura política em torno da figura de Padre Zuzinha (eis aí, uma dica de leitura), na qual faz uma análise crítica à figura dele no contexto da política local.

As ponderações do texto sobre o legado de Raimundo Aragão, bem como a monografia sobre Padre Zuzinha tiveram o intuito de contribuir na compreensão da história de Santa Cruz. Dessa forma ele mostrou seu comprometimento enquanto historiador que produz sobre a realidade local. Textos assim serão sempre bem vindos para que não deixemos que tão poucas pessoas escrevam e decidam o nosso passado, presente e futuro.

O jornalista e sociólogo Raymond Aron afirma que todo relato histórico é uma reconstrução seletiva do que aconteceu no passado. O próprio Lindolfo Lisboa, em sua obra sobre Raimundo Aragão, reconhece isto, ao afirmar que “estas páginas são um apanhado dos principais episódios da vida de Raimundo Aragão” (1990, p.23). Ora, ele “apanhou” os pontos que, com base nos seus valores e no momento histórico, considerou mais importantes ou adequados para contar a vida de Raimundo Aragão. O Professor Lindolfo estava errado por isso? Certamente, não! Gilson, ao “apanhar” outros pontos, estaria?
É importante que as pessoas tenham coragem de expor suas visões, mesmo quando sujeitas às mais severas críticas, e que estas sejam sempre feitas para promover o debate das idéias.

Assinam esta nota:

Romenyck Stiffen – Historiador
Nery Mercês – Educadora
Moisés Américo - Professor
Emanoel Glicério – Jornalista
Mario Junior – Historiador
Emmanuel Rodrigues – Estudante de Letras
Pablo Ricardo - Professor
Clarissa Carvalho – Mestre em Ciência Política
Elaine Silva – Jornalista
Gustavo Bezerra - Jornalista
Rodrigo Bezerra - Geógrafo
Cláudio Higino – Jornalista
Vaniara Silva – Pedagoga
José Gilvan da Silva – Autônomo

Por Emanoel Glicério | Marcadores: , ,

Em defesa de Raymundo Aragão

Através deste artigo, como neto de Raymundo Aragão, tenho obrigação de vim fazer a defesa dele e de outras pessoas neste momento, em virtude de artigo publicado no Diário da Sulanca por Gilson Julião.

Primeiramente, do jeito que ele escreve, parece que Lindolfo era mentiroso. Ele diz que Lindolfo escreveu um livro de exaltação, e que o mesmo criou um “mito fundador”. Mas quem conhecia Lindolfo sabe que a mentira, a desfaçatez, a glorificação gratuita, não eram características inerentes a sua personalidade. Lindolfo nunca foi um áulico.

Ninguém nunca disse que Raymundo Aragão, nem o mesmo dizia isto, foi o único benfeitor da independência, se Gilson tiver um tempinho e puder ir até a Câmara de Vereadores de nossa cidade poderá ver um documento histórico assinado pelas mais diversas pessoas na luta pela emancipação de nosso município. É público e notório que pessoas como João Deodato, Duda Barbosa, Antônio Colino e outras, participaram da luta pela nossa emancipação. O que não pode o historiador negar é que Manoel Rufino de Melo (pai de Augustinho Rufino) e seus seguidores foram contra a emancipação do nosso município. Ou o historiador não sabe disso? Ou a história agora é mentirosa?

Dizer que o que possibilitou o reconhecimento público de Raymundo Aragão em nossa cidade foi o fato do grupo dele ter comandado a cidade por 12 anos, e não quatorze é desconhecer totalmente a história. O outro grupo político comandou a cidade pelos 24 anos subseqüentes e tentou destruir a imagem de Raymundo Aragão. O colégio Padre Zuzinha, por exemplo, que foi projetado para ser a sede dos três poderes de nossa cidade, foi transformado em escola, como todos sabemos. O traçado da Avenida 29 de Dezembro, que deveria ir até a saída do Pará, foi modificado. Os 24 anos posteriores às vitórias do grupo de Raymundo Aragão foram tempos difíceis para o mesmo e para seus aliados. Quem quiser pode perguntar a Marcondes Moreno, ao seu irmão Marcos, enfim, a qualquer filho de Manoel do Calçamento o que este sofreu por ser aliado de Raymundo Aragão. Pergunte a Emanoel Glicério o que seu tio, Chico de Deda, padeceu por ser aliado de Raymundo Aragão. Do jeito que Gilson escreve parece que Santa Cruz só tem 12 anos de história.

Não sou historiador nem pretendo sê-lo. Mas apesar de tenra idade, conheço a história melhor que muito especialista. Raymundo Aragão não teve intenção de legar a cultura política de extrema polaridade em nossa cidade, por meio de registros fotográficos podemos ver o senhor Lourival Moraes (pai da ex-vereadora Zilda Moraes) e candidato adversário daquele na eleição de 1963, ao seu lado na posse do seu segundo mandato. A democracia é boa por isso, pois permite o contraditório. Já o respeito entre os adversários vai depender dos homens que disputam uma eleição.

O acirramento dos grupos políticos surgiu após a vitória do Padre Zuzinha em 1968, quando a casa de Raymundo Aragão e aliados como Gaudêncio Feitosa, Manoel do Calçamento, João Velho, foram atingidas por pedras, fezes e bolsas de urina. O respeito entre adversários depende, principalmente, dos vencedores.

Gilson critica o uso do nome de Raymundo Aragão por políticos atuais. Mas a história mostra que nomes como o de Arraes, JK, Getúlio Vargas e tantos outros, são sempre lembrados pelas mais diversas pessoas. Que mal existe em lembrar o nome de pessoas que tanto trabalharam no país, em seus estados ou no âmbito municipal? E é pecado isso? É um ato imoral ou ilegal?

Como já disse Jânio Quadros, “o passado nunca acaba”, mas não sei por qual razão o artigo de Gílson, que em certo momento clama por um pensamento progressista para o futuro de Santa Cruz, volta-se para o tempo pretérito, ao invés de acender alguma chama para o nosso futuro. Faça como Raymundo Aragão, pense e realize seus grandes sonhos em favor de Santa Cruz do Capibaribe.

Realmente, esse negócio de Taboquinha e Boca Preta tem que acabar mesmo, pois até em eleição de Conselheiro Tutelar estão usando isso.

Por Rodrigo Aragão - Neto, com muito orgulho, deste homem, que ao lado de outros, tanto lutou por nossa terra. 

Por Emanoel Glicério | Marcadores: , ,

Raimundo Aragão – Um líder político, um prefeito a frente do seu tempo

Nascido em 27 de setembro de 1911, em Santa Cruz do Capibaribe, filho do Senhor José Francelino Aragão e da Senhora Raimunda Maria Aragão, Raimundo foi um líder político nato, um administrador público mais próximo do sentido cientifico da palavra, que este município já teve. Logo cedo ele se descobriu com liderança política, começando sua militância em defesa da emancipação política administrativa da então vila de Santa Cruz do Capibaribe, na época pertencente ao município de Taquaritinga do Norte, com um diferencial que devo registrar, não tratou a questão com fins eleitorais e dividendo político pessoal ou de grupo, como ainda hoje muito se pratica nos eventos emancipatórios por este Brasil a fora. Abraçou esta luta por compreender que Santa Cruz do Capibaribe tinha condição política, geográfica, econômica e social para não mais ficar a depender de Taquaritinga do Norte e com esta visão liderou o movimento emancipatório, enfrentando obstáculos dos mais variados em nível de distrito, município, região e na capital pernambucana [Recife], pois suas idéias iam de encontro aos interesses “políticos” e pessoais daqueles que eram taxativamente contra a libertação de Santa Cruz. Mas, como diz o ditado popular “Água mole, pedra dura, tanto bate até que fura”.

E em 29 de dezembro de 1953, Raimundo e seus companheiros, conquistavam com muito suor e luta a emancipação (independência) de Santa Cruz do Capibaribe distrito de Taquaritinga do Norte. Santa Cruz do Capibaribe tornava-se o mais novo município do Estado de Pernambuco através da lei 1.818 sancionada e promulgada pelo Governador Sr. Etelvino Lins de Albuquerque.

Aquele que foi o precursor e o maior baluarte desta grata batalha, tornava-se mais tarde Prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, eleito pelo voto do povo do recém-criado município por dois mandatos, de 1955 a 1959, concorrendo com o ex. prefeito nomeado interinamente, tenente Teófanes Ferraz Torres, sendo sucedido pelo Sr. Pedro Neves [1959 a 1963], reelegendo-se Prefeito em 1963 por mais quatro anos [63/69], tendo o seu Vice Prefeito o Sr. Jose Neco também eleito através do voto. Fazendo uma gestão administrativa com responsabilidade pública e com ações relevantes para a época e os dias atuais, dentro de uma perspectiva de grandeza para o futuro da então cidade criança, menina, moça, que no decorrer de sua História tornou-se um dos maiores pólos de confecções do País e América Latina.

Na época, quando Prefeito apesar de não ter formação acadêmica, considerando-se ainda a ausência de instrumentos conceituais administrativo, econômicos, sócio ambientais, jurídicos, tecnológicos, planejamento estratégico etc, elementos indispensáveis às gestões atuais. Portanto Raimundo pensou, sonhou e executou ações de forma planejada, construindo e calçando ruas largas(Rua Grande e do Pátio) e avenidas [29 de Dezembro e Bela Vista], um cemitério [S. Judas Tadeu] que serviria para a época e gerações futuras. Para servir como espaço físico da sede da Prefeitura construiu o prédio onde hoje funciona a Escola Padre Zuzinha, na Avenida 29 de dezembro, com uma infraestrutura dotada para acolher a todos os aparelhos administrativos: municipal (Gabinete do prefeito, Secretários etc.), e a Câmara de Vereadores, estrutura que a época e ainda hoje não se vê nos municípios do nosso agreste com exceção de Caruaru.

Quando hoje o mote é fomentar o desenvolvimento econômico local, com vista ao seu fortalecimento, face ao mundo globalizado (Modo de Produção Capitalista), Raimundo trazia para Santa Cruz do Capibaribe o Banco do Brasil visando o investimento na produção local e de cidades vizinhas, através de linhas de créditos e tantos outros mecanismos que diz respeito ao papel do agente financeiro e social do nosso Banco Público Nacional (B.B). A feira de confecções com milhares de bancas no centro da cidade e Parque de Feiras Moda Center nem em sonho, mais ele, que muito bem pensava, construiu uma escola técnica de corte e costura, diversificando a economia base daquele tempo, a lavoura temporária e a criação de animais, assim estabelecendo-se uma “linha do tempo”, onde hoje Santa Cruz do Capibaribe tornou-se um dos maiores polo de confecções do país, gerando emprego e renda aqui dentro e mundo a fora. Como o recém-criado município sobreviveria sem reservatórios para o armazenamento de agua, elemento indispensável à vida e ao desenvolvimento econômico. Raimundo não pestanejou conquistando a construção dos açudes de Machados, Manhosa e Pedra da Nega, obras de grandeza, sobretudo para a época. A cultura pré-histórica das pessoas caçarem e abater animais para comer a sua carne e utilizar-se do seu couro, ossos etc, para suprir suas necessidades, mais tarde tornando-se uma atividade comercial, atividade esta no município, que ganha seu espaço físico, quando Raimundo construiu o primeiro e único açougue Público Municipal, na Rua Dr.José Mariano (antiga Rua do Pátio).

A política milenar de tributar através de impostos os cidadãos, com forma de juntar dinheiro para manutenção e execução das políticas do Reino e do Estado [nem sempre bem aplicados]. Raimundo para atender a esta necessidade do ente Estadual, construiu a Coletoria, órgão da Secretaria de Fazenda do Estado, na antiga Rua Dr. José Mariano, hoje rua que leva o seu nome. Onde hoje funciona a Coordenadoria da Mulher ao lado da Secretaria Municipal de Defesa Social, ele ergue a sede do conceituado Instituto Brasileiro Geográfico e Estático (IBGE).

Hoje os conceitos de políticas públicas sociais são avançados e indispensáveis para a compreensão social e execução de políticas públicas com vista à diminuição do fosso existente entre ricos e pobres; produto da miséria humana, do modo de produção capitalista, conceitos estes imagináveis naquela época, Raimundo construía a primeira Unidade de Saúde Pública Municipal, denominada de Maternidade Antônio Burgos, na Avenida 29 de Dezembro, onde hoje funciona o Hospital Público Municipal o qual tem a honra de levar o seu nome. Não é preciso ir muito longe para saber que a universalização da educação, ou seja, educação para todos e qualidade é algo que está sendo abordado em todas as esferas de governo e sociedade civil organizada, muito longe da pratica obviamente, mais com significativos avanços. Pois bem, Raimundo já praticava a hoje denominada “educação para todos”. Construindo diversas unidades escolares, com um olhar, sobretudo para os que tinham maiores dificuldades ao acesso a educação, as comunidades da zona rural.

Nem por meio de vidência, adivinhação, etc. tinha-se noção dos princípios da Administração Pública, a saber: Legalidade, Ética, Moralidade, Impessoalidade, Publicidade, Economicidade, Eficiência, Razoabilidade e Planejamento. Mas Raimundo já os praticava em seus dois mandatos, pois seus atos administrativos pautavam-se na lei (principio da legalidade), suas ações tinha a responsabilidade pública (Ética e Moral), ao construir, ao contratar a prestação de serviços para a Prefeitura, tinha como prática, executar pelo melhor preço e qualidade (economicidade e eficiência) ainda hoje muitas de suas obras estão ai pra quem quiser ver, não se deterioram com o tempo, a chuva e sol, ou seja, não eram construção “sorrisal” nem tão pouco superfaturadas.

Se os princípios da administração pública inexistiam a época, muito menos a Lei Complementar de Responsabilidade Fiscal (LRF), mas ele só gastava o que tinha pra gastar, se planejava, e pagava o serviço executado. Na Prefeitura não construiu fortuna para si, para seus filhos, parentes, grupo políticos ou amigos (correligionários), basta ver como entrou e como saiu do cargo de Prefeito. Atitude esta que é de uma grandeza imensurável, face ao tratamento que se tem com o dinheiro público (do povo) Brasil a fora.  Desta forma a impessoalidade e responsabilidade fiscal acontecerão na prática.

Observa-se que Lei de Parcelamento do Solo Urbano, Estatuto da Cidade, Plano Diretor etc., inexistia à época. Porem Raimundo teve um zelo com as áreas Públicas pertencentes ao Patrimônio Municipal [do povo], do recém-criado município, pois ao invés de surrupiá-las em beneficio próprio, de familiares ou de seus partidários, comprou terras e as incorporou ao Patrimônio Municipal, graças a isto, hoje Santa Cruz do Capibaribe tem uma expansão territorial de grande proporção, atitude esta incompatível com a pratica da maioria dos seus sucessores. Diante disto e muito mais, o que tivemos? Um visionário, vidente, mito, um Homem exageradamente honesto, adjetivos a ele aplicado por alguns, nada disto, apenas um homem honesto, ético e de espírito público relevante, que tornava real os seus sonhos e pensamentos, em prol do município, do qual foi o percussor de sua independência e administrador público.

Este é o Raimundo Histórico que conheci na minha vida de criança, adolescente e jovem ativista político do movimento popular, quando o mesmo morava ao lodo da casa de outro grande homem, o saudoso Padre José Pereira de Assunção (Pe. Zuzinha), que ao se tornarem adversários politicos, continuaram cultivando o respeito fraternal em suas relações pessoais, algo raro no mundo da hipocrisia política, sobretudo na sociedade atual, autodenominada de moderna.

Este é o Raimundo que os do seu tempo, vivos ou In memória me passaram, este é o Raimundo descrito no livro de Lindolfo Pereira de Lisboa, o qual os políticos locais deveriam “trazê-lo” para o contexto político atual, unindo conceitos e práticas, inovadoras, planejadas, avaliadas, recicladas, pois de Raimundo Prefeito para cá, conceitos e teorias cientificas avançaram, mais a prática nem tanto quanto deveria, nem tanto quanto podemos chegar.

Planejar e praticar hoje políticas públicas com um olhar crítico construtivo no passado, presente e futuro, por uma Santa Cruz economicamente, socialmente, culturalmente e ecologicamente justa, democrática e sustentável é algo indispensável, sob pena de perdermos a nossa referência de “Capital das Confecções”. Algo que a História e seu Criador não nos absolverão.

Viva os que pensam e que praticam os relevantes interesses públicos!  Viva o centenário de Raimundo Aragão!                                   
Abraços Fraternais.
Carlos Lisboa
Santa Cruz do Capibaribe, Setembro de 2011.

Por Emanoel Glicério | Marcadores: ,


Outro olhar sobre o centenário de Raimundo Aragão

Enquanto historiador que estuda as tramas da política local, não poderia ausentar-me deste momento que se “celebra” o centenário de Raimundo Aragão. Porém, só resolvi escrever depois que se passassem os festejos, pois, embora não seja da minha essência ser ácido, nestas linhas serei para muitos, pois entendo ser essa minha função neste momento, no entanto não pretendo diminuir o brilho do mesmo.

Muito se falou, escreveu, celebrou e exaltou a figura de Raimundo Aragão, mas algumas coisas precisam ser ditas para não criarmos heróis salvadores de uma terra, pois é de nossa cultura criar e inventar mitos e heróis em cada época, principalmente em eventos simbólicos como foi a emancipação política.

Segundo Lisboa (1990), o primeiro movimento de luta pela emancipação aconteceu em 1929 e, segundo o autor, este se deu pela força de Raimundo Aragão, quando ainda tinha 18 anos. Contudo, levamos em consideração que essa fala se dá a partir de uma escrita feita em uma biografia de exaltação, na qual o autor citado, inclusive pensando a partir de seu lugar social, era representante de Raimundo Aragão em solenidades, ou seja, dificilmente na escrita de Lisboa seriam feitas críticas a este personagem.

A partir da escrita de Lisboa, o maior expoente da “independência” de Santa Cruz foi Raimundo Aragão. Tal apologia pode ser explicada devido a figura do “mito fundador” ser tão presente em nossa sociedade.

O enredo, que possibilitou, entre outras coisas, que Raimundo Aragão fosse esse “fundador” se deu em virtude do mesmo ter sido o primeiro prefeito eleito em 1955 e ter conseguido, junto com seu grupo, comandar a cidade por 14 anos, o que facilitaria a construção de uma memória de que ele foi o grande responsável por tal feito. Mas, esse momento não pode ser atribuído apenas a sua figura como único “bem feitor da independência”, tendo em vista que corremos o risco de ser injustos com tantos outros que lutaram pela emancipação.

Fala-se de Raimundo Aragão enquanto homem visionário e de pensamento avançado, porém este estava apenas conectado com o pensamento nacional da época, que através de Juscelino Kubitschek implantava uma política desenvolvimentista no Brasil. Era como se hoje, o prefeito atual se espelhasse nas práticas políticas de Lula ou Dilma, portanto para época não seria algo extraordinário fazer o que Raimundo Aragão fez.

Entendo que uma das piores heranças que este deixou, intencionalmente ou não, foi a construção de uma cultura política que se perpetua até hoje, que são as denominações políticas “Cabecinha”, que a partir de 2000 foi denominada “Taboquinha” e “Boca Preta”, esta última atribuída ao grupo político liderando há época pelo Padre Zuzinha. Porém, temos a oportunidade de, na conjuntura atual, repensar essas agremiações políticas que tanto mal tem feito a nossa cidade, onde as pessoas são repartidas como se houvesse uma grande muralha que dividisse as duas facções, e nesse sentido o pensar a cidade fica em segundo plano.

O pior de tudo neste momento de exaltação foi observar políticos atuais comparando-se com Raimundo Aragão e outros tentando justificar seus mandatos políticos por serem apenas parentes deste, como se, por si só, esse parentesco justificasse suas ações ou a ausência destas, sendo estas ações muito destoantes das práticas e da forma política que Raimundo Aragão atuou durante sua época.

Portanto, não poderia fazer um texto de exaltação como fizeram os outros, por medo ou por não ter a preocupação de problematizar, pois não é dever do historiador exaltar, mas incomodar e dar visibilidade às práticas cotidianas e históricas.

Por Gilson Julião - Historiador

Por Emanoel Glicério | Marcadores: , ,

Desculpas de um Historiador

Ao ler na manhã do dia 29 de setembro o blog do meu amigo Emanoel Glicério fiz a leitura do texto do companheiro Marcelo Diógenes, genro do saudoso Lisboa, onde observei que de forma coerente o senso de justiça em suas palavras. No entanto quem conhece minha pessoa sabe que não dormiria com tranquilidade sem me retratar neste espaço.

Como historiador resolvi fazer uma simples homenagem a Raimundo Aragão em minhas colunas no Blog Sulanca News e no dia 13 de agosto de 2011, na primeira coluna escrevi no primeiro e segundo parágrafo que teria “por objetivo abordar um pouco da história de um dos maiores mitos do município de Santa Cruz do Capibaribe-PE, Raimundo Francelino Aragão,  do qual estivesse vivo completaria 100 anos, ao qual homenageamos nesse trabalho. E para narrar a vida desse homem não podíamos deixar de consultar as obras de outros dois grandes nomes de nosso município, Lindolfo Pereira de Lisboa (in memória) e Júlio Ferreira de Araújo, que apesar de não serem historiadores por formação, sempre tiveram a preocupação de preservar nossa história”.

“Por tanto, navegaremos na obra biográfica, Raimundo Aragão: sua vida suas obras, elaborada pelo saudoso Lindolfo Pereira de Lisboa e a obra, História de santa Cruz do Capibaribe, por Júlio Ferreira de Araújo,”

E no decorrer das outras colunas de homenagens, ao final de cada citação das obras pesquisadas, citava os autores que não foram poucos, Le Goff, Munford, Foucalt, Chartier, Reis, Diniz, e os santa-cruzenses Manuela Feitosa, seu Julio Ferreira de Araújo, professor Lindolfo Pereira de Lisboa, músicas de José Augusto Maia e Fotos do Orkut de Arnaldo Viturino.

Contudo as referências eram da seguinte forma ao final de cada citação (Araújo, 2003 ou Lisboa, 1991) que significa para quem for pesquisar o sobrenome do autor e o ano da obra. No entanto se as referências não foram satisfatórias, sem ironia alguma, mas com muita sinceridade e humildade peço desculpa não só ao companheiro Diógenes, mas em memória a professor Lindolfo, a toda sua família.

Pois como descreveu Diógenes, a escrita de Lindolfo é inconfundível, e acrescento como historiador que a historia escrita de Santa Cruz tem que ser pensada antes e depois de Lindolfo, pois não da para escrever sobre nosso município sem ao menos ler suas obras e a de seu Julio.

Por Romenyck Stiffen - Historiador e colunista!

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As comemorações do Centenário de Raymundo Aragão oram abertas oficialmente no início na manhã de hoje, na Rua Grande, escolhida para ser o palco de todas as atividades relacionadas ao evento, devido à sua forte ligação com Raymundo Aragão e a sua história.

Ás 7:30h foi feito o hasteamento das bandeiras, com discursos emocionados das autoridades presentes. O filho de Raymundo Aragão, o ex-prefeito Raymundo Aragão Filho, representou a família ao lado do vereador Fernando Aragão, sobrinho do homenageado.

Logo após o hasteamento, o público presente assistiu a apresentações culturais do Maracatu Capibaribe e dos repentistas Ivanildo Vila Nova e Rogério Meneses, que fizeram uma bela homenagem em versos a Raymundo Aragão.

À noite, houve exposição fotográfica e distribuição de uma revista editada exclusivamente para a ocasião, com informações e fotos da vida e da obra de Raymundo Aragão. Em seguida, o público pôde prestigiar uma apresentação do grupo de dança do Centro de Convivência do Idoso (CCI), do Quinteto de Metais, da Orquestra Spock e da Orquestra 100% Mulher. 

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