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Sedia ou cedia?

Estas duas palavras existem na Língua Portuguesa e estão corretas. Porém, seus significados são diferentes e devem ser usadas em situações diferentes.

O verbo SEDIAR se refere ao ato de ‘dar sede’ ou ‘servir de sede a’.

Exemplos:

Londres sedia Olimpíadas pela terceira vez.
Brasília sedia cerimônia de entrada da Venezuela no Mercosul.

Já o verbo CEDER refere-se ao ato de ‘desistir de alguma coisa em favor de alguém’. Pode significar também o ato de ‘transferir a propriedade de uma coisa a uma pessoa’; vender. Ou ainda: dobrar-se, curvar-se sob o peso, sob a pressão, não resistir, sucumbir; submeter-se a.

Exemplos:

A terra estava tão frouxa que logo começou a cair do teto, mas o teto não cedia.
Ele não cedia aos meus caprichos e me chamava de mimada.

As palavras sedia e cedia apresentam a mesma fonética, ou seja, são pronunciadas de forma igual, mas seus significados e escritas são diferentes. A este tipo de palavra chamamos palavras homófonas.

Por Marilice Lopes

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Cinco erros de português...que talvez você cometa diariamente

Um agravante, um atenuante
Agravante e atenuante são palavras “femininas”. Portanto, uma agravante, uma atenuante. Sempre.

Todo mundo
Todo o mundo erra essa. Todo o mundo precisa saber que o correto é “todo o mundo” em qualquer situação.

O banco que você confia 
Quem confia, confia em alguma coisa. Portanto, o banco em que você confia.

A janta está na mesa
A janta está consagrada pelo uso, como se costuma dizer nos meios gramáticos. Mas, se você preferir uma forma mais correta, diga sempre que o jantar está na mesa.

Desculpe a nossa falha
Se você der alguma informação errada, não diga “desculpe a nossa falha”. Quem desculpa, desculpa alguém de (ou por) alguma coisa. Então: Desculpe-nos pela falha.   

Por Marilice Lopes

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Ao invés de ou Em vez de?

Ambas são locuções prepositivas, mas a primeira dá ideia de contrariedade, de situação oposta; a segunda dá ideia de substituição, de mera troca, sem conceito de oposição. Portanto:

A criança, ao invés de sorrir, chora!
Cristina desceu, ao invés de subir.


Jeni, em vez de ir ao quarto, foi à cozinha.
Em vez de ir ao cinema, fui ao teatro.


Por Marilice Lopes

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O nó da palavra
Expressão equivocada de político produz sentido enigmático.

De um político da oposição sobre o governo Toinho do Pará:

“Se me perguntassem qual é a maior carência de Santa Cruz hoje, eu diria que é a falta de governo.”

Aqui ocorre um obscuro enigma semântico, como devem ser todos os enigmas não-poéticos.

O político parece ter dado um nó nas coisas.

A ausência de alguma coisa pode configurar uma carência?

Segundo o político, Santa Cruz carece de governo ou da falta de governo?

Se carece da falta, não há falta.

Talvez ele quisesse se referir ao que considera o “maior problema” desta cidade.

Mas aí teria de mudar o discurso.

Por Marilice Lopes

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QUEM NOTA A DIFERENÇA?

Tampouco x Tão pouco

Tampouco - 

Também não, nem mesmo, muito menos.        
“Não rouba, tampouco deixa os outros roubarem.”
ADVÉRBIO, O TERMO REFORÇA UMA NEGAÇÃO.

Tão pouco –

Coisa pequena, insignificante.
“Recebeu tão pouco que chorou de tristeza.”
Na expressão, o advérbio intensificador TÃO acentua o advérbio ou pronome POUCO, que indica quantidade.

Todo x Todo o

Todo o –
Inteiro, completo, total.
“Todo o mundo.”
O mundo inteiro.

Todo –

Cada, seja qual for, qualquer.
“Todo homem.”
Cada homem.

Por Marilice Lopes

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CONCORDÂNCIA NOMINAL
As palavras ANEXO/ INCLUSO


Anexo e incluso são palavras que funcionam como adjetivo; devem, portanto, concordar com o substantivo (ou pronome substantivo) a que se referem:

Segue anexo o livro. // Vai incluso o documento.
Seguem anexos os livros. // Vão inclusos os documentos.
Segue anexa a fotografia. // Vai inclusa a procuração.
Seguem anexas as fotografias. // Vão inclusas as procurações.

Por Marilice Lopes

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PARÔNIMOS

As palavras parônimas às vezes confundem até bons redatores. Isso embora a diferença entre elas em geral passe despercebida (não “desapercebida”) na fala. Semelhantes na pronúncia e na grafia, mas com outro significado, costumam ser identificáveis por discretas diferenças que convêm apreender (não só “aprender”). Pois podem desfear (não “desfiar”) até o texto do mais sofisticado redator. Portanto, todos, estamos sujeitos a tropeçar em parônimos – vocábulos quase homônimos. Mas revisão nunca é demais.

DESCRIMINAR (inocentar) X DISCRIMINAR (distinguir)
DESTINTO (de destingir) X DISTINTO (diferente)
MANDADO (ordem judicial) X MANDATO (cargo eletivo, delegação)
RATIFICAR (confirmar) X RETIFICAR (corrigir)
TACHAR (desqualificar) X TAXAR (estipular)

Por Marilice Lopes 

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Os polêmicos verbos “haver” e “ fazer”

Os verbos ‘haver’ e ‘fazer’ são responsáveis por muitos erros. No sentido de “existir” e “ocorrer”, ambos são impessoais, ou seja, não devem ser flexionados quando empregados para indicar tempo passado ou fenômeno meteorológico.

·         EQUIVOCADO

Houveram fatos inusitados na reunião.
Houveram muitas chuvas no mês de novembro.
Fazem quatro meses que trabalho aqui.
Fazem anos que não a vejo.

·         CORRETO
Houve fatos inusitados na reunião.
Houve muitas chuvas no mês de novembro.
Faz quatro meses que trabalho aqui.
Faz anos que não a vejo.

Por Marilice Lopes

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Uso de há ou a

HÁ – Se o período de tempo já passou: “O fiscal chegou há meia hora”
A – Se o período ainda vai ocorrer: “O fiscal voltará daqui a meia hora”

HÁ TEMPO – Há = faz. “O fiscal chegou há tempo”: faz tempo que chegou.
A TEMPO – A = em. “O fiscal chegou a tempo”: chegou na hora, em tempo.

HÁ UMA HORA – Há = faz. “O ônibus passou há uma hora”.
À UMA HORA – Se a referência for à hora do dia. “O ônibus passou à uma hora”.
A UMA HORA – Nos demais casos. “A próxima parada fica a uma hora daqui”; “Ele viajou a uma hora dessas?”, etc.

O há pode ser substituído por ‘faz’ quando indica tempo passado. E a preposição a indica futuro ou distância; substituída por ‘faz’, não fará sentido.

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USO DOS DEMONSTRATIVOS

A maioria das gramáticas apresenta excesso de regras quanto ao uso dos pronomes demonstrativos. Na verdade, o demonstrativo tem duas funções ou usos distintos. O ideal é conhecer a única regra básica para cada demonstrativo em cada um dessas funções.

A primeira função é chamada pragmática ou situacional, pois o pronome se refere à situação, ao contexto em que a fala ocorre, e seu uso é paralelo e equivalente ao dos advérbios pronominais “aqui” (para 1ª pessoa), “aí” (para 2ª) e “ali” (para a 3ª). Assim o uso de ESTE equivale, situacionalmente, ao AQUI; o de ESSE, ao de AÍ; e o emprego de AQUELE, ao de ALI.

POSSO SABER QUEM É AQUELE HOMEM (ALI)?
ESTE RAPAZ QUE VOCÊ VÊ (AQUI) É MEU AMIGO.
ESSE RELÓGIO (AÍ) É SEM DÚVIDA MUITO BONITO.

A segunda função do demonstrativo é chamada textual ou sintática. O demonstrativo, nessa função, refere-se ao já dito ou ao que ainda vai ser dito num texto.

ESTE, quando empregado sozinho, sem oposição, se refere ao que ainda vai ser dito no texto: “O lema da nossa bandeira é este: Ordem e progresso.”

ESSE é sempre empregado sozinho, sem oposição,  e refere-se sempre ao que já foi dito no texto: “Fé, caridade e esperança – essas são as virtudes teologais.”

AQUELE é usado apenas em oposição a ‘este’ e em referência ao já dito no texto: “Pedro estuda e Maria se diverte. Aquele passará no vestibular, mas esta será reprovada.” Repare-se que nunca se deve dizer ‘esse’ em oposição a ‘aquele’.

Por Marilice Lopes

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