A feira de frutas, mangaio e do troca deve sair da Rua Grande?


Como Cientista Social e como cidadão, oriundo de uma família tradicional (Balbino) que faz parte da origem do povo desta terra, que prezo pelo nosso patrimônio histórico e cultural do nosso município, venho por meio deste informar e ao mesmo tempo pedir-lhes que ações conjuntas sejam realizadas por parte dos órgãos diretamente ou indiretamente responsáveis sejam eles no âmbito municipal ou estadual quanto à informação que nos foi passada pelo Diretor de Departamento de Feiras e Mercados da Secretária de Indústria e Comércio e Turismo desta. Segundo o diretor a tradicional e histórica feira livre (feira de mangaio) que tem seu funcionamento aos domingos e segundas, seria retirada da Avenida Padre Zuzinha a pedido do Juiz de Direito e Promotor de Justiça desta Comarca. Feira esta, nascida em meados de 1712, segundo registros históricos encontrados em tijolos que compunham a primeira capela construída onde hoje se encontra a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus dos Aflitos, antiga Rua Grande quando Santa Cruz ainda era uma pequeníssima vila, hoje Avenida Padre Zuzinha e relatos de uma das mais antigas moradoras desta avenida: a senhora Margarida Aragão que quando criança já ouvia falar desta feira por intermédio dos seus pais, avós e tataravós.

Não estamos falando de uma simples feira livre, estamos sim, tratando da história do nosso povo, da história da nossa gente. Feira esta, que faz parte dos nossos costumes, de nossas tradições, portanto, temos o dever e a responsabilidade de preservá-la como parte de nossa identidade, da nossa cultura.

É comensuravelmente um patrimônio histórico e cultural da nossa gente e que nos incube a preservá-lo para que não se perca no tempo como tantos outros, porém, hoje, já perdidos, esquecidos no passado. A exemplo disto temos as festas juninas de outrora com suas competições de quadrilhas de rua, as bandas de pífanos, o grupo de dança Quebra Lajeiro, etc.

O nosso carnaval onde o reinado de Momo durou por pouco tempo, o bloco carnavalesco denominado “A porca Suzana”, as escolas de samba, com suas alegorias; os famosos “cão” da Rua do Rio, a burrinha de “Seu Dia”, as famosas manhãs de sol do Clube Ypiranga. 

E por fim, uma das últimas festas tradicionais que ainda insistia e resistia a tantos percalços. Já podemos considerá-la esquecida no passado, um passado assim, não tão distante, a glamorosa festa religiosa do padroeiro São Miguel Arcanjo da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Aflitos, a tão conhecida e esperada “Festa de Setembro”, com tudo o que fazia parte dela; o parque Ideal Lima, os cavalinhos de Orácio de Camila, o carrossel de Zé Borrego, o carrossel de Mourão, as barracas de comidas típicas, onde foi parar tudo isto? É isso que queremos, enterrar no passado toda uma riqueza histórica e cultural do nosso povo?

Ainda há tempo, nunca é tarde para que ações aconteçam no sentido de resgatar e preservar todo esse patrimônio adormecido no passado, mas no entanto, vivo na memória dos que tiveram o privilégio de ter participado de tudo isso. Esse conjunto de costumes e tradições faz parte da nossa história e temos o dever de perpetuar e manter sempre viva a chama desses conhecimentos praticados por nossos antepassados, pois, tudo isto faz parte da identidade da nossa gente, faz parte da identidade do nosso povo. E é todo esse conjunto, toda essa herança cultural que está em jogo, e como Cientista Social e cidadão desta tão querida e abençoada Terra das Gameleiras que convido-vos a agir, impedindo assim, que mais um dos nossos costumes e tradições não fique adormecido ou se perca no passado em nome do desenvolvimento, em nome do progresso de um capitalismo irracional e desumano.

Por Luiz Carlos - Cientista político, ambientalista         

Por Emanoel Glicério | Marcadores: , ,

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