Entrevista: Narah Leandro



Diário - Seu nome esteve sendo especulado para compor a chapa majoritária, hoje você disputa uma pré-candidatura à vereadora. Ter ficado de fora da chapa majoritária gerou alguma insatisfação?

Narah - Não. Fiquei muito feliz com o carinho e confiança das pessoas que apontavam espontaneamente o meu nome, que surgiu com um sentimento de mudança. Mas sempre disse e repito vim para somar ao grupo e juntos avaliamos cada um dos nomes e democraticamente com muita maturidade chegamos a conclusão que nesse momento Dimas Dantas com toda sua trajetória política viria a agregar mais ao lado de Edson Vieira nosso pré candidato a prefeito.

Diário - Como você avalia o nome de Dimas Dantas como vice de Edson Vieira?

Narah - Um político experiente, compromissado com a cidade de Santa Cruz, que não fez da política profissão, mas que contribuiu até hoje na câmara de vereadores e pode vir a contribuir muito mais na majoritária que entende a necessidade de uma gestão diferente do que vem sendo desempenhado.

Diário - Quais as credenciais que a fazem disputar uma vaga na câmara de vereadores?

Narah - A população de Santa Cruz conhece a minha origem, o meu compromisso em causas sociais e minha luta por uma política mais inclusiva. E nesse momento a cidade foi tomada por um desejo muito forte de mudança e de moralidade política. Diante desse cenário o meu nome surge como uma esperança daqueles que por diversos motivos perderam a paixão partidária e querem uma atuação diferente, de uma mulher de coragem e, sobretudo capaz de representar as famílias de Santa Cruz.

Diário - Você e sua mãe participaram ativamente das duas gestões de José Augusto e contribuíram com a vitória de Toinho do Pará. Qual a sua parcela de culpa na má avaliação do governo Toinho do Pará?

Narah - A gestão de Toinho do Pará já começou complicada em relação ao inchaço da folha de pagamento, quem não se lembra da confusão para pagar o ultimo mês dos funcionários contratados da gestão de Zé Augusto, pouca gente sabe é que Zé deixou 40 pessoas com estabilidade financeira, dessas 40, cargos de alto escalão do governo. Ou seja se a professora Socorro Maia, Secretária de Educação voltasse para a sala de aula como professora continuaria recebendo o salário de secretária, o que é um absurdo, e Toinho não teve coragem ou possibilidade jurídica de derrubar esses cargos que custam caro para o município e ainda perpetuou dentro da administração dois grupos de funcionários, os de Zé Augusto e os de Toinho, um que nunca vestiu a camisa de Toinho e outro que por mais que se esforçasse não tinha autonomia para desempenhar um bom trabalho. E essa divisão interna que perdurou durante todo o mandato, fica exposta a toda população agora com a indefinição do grupo em relação aos pré-candidatos da majoritária.

Diário - O que a levou ao rompimento com o grupo Taboquinha?

Narah - Exatamente esse conflito interno que se estendeu também em relação a Diogo Moraes. Zé queria que minha mãe, na época secretária de Desenvolvimento Social apoiasse Ernesto Maia, porém Santa Cruz sabe que nós nunca comungamos do abuso de poder que Socorro Maia e Ernesto Maia exerciam no governo de Zé Augusto, esse conflito nunca foi segredo, então não tinha sentido apoiarmos quem não acreditávamos. E quando avisamos que não iríamos trabalhar para Ernesto foi uma confusão, Zé disse que minha mãe estava ressuscitando os Moraes. Mas quem conhece a história da creche que minha mãe fundou há 13 anos no bairro Polis Pacas que funciona de segunda a sexta feira durante todos esses anos atendendo a crianças de baixa renda sem nenhum custo para as famílias, sabe que o ponta pé inicial para este projeto foi dado por César Moraes e Iara, tios de Diogo, e que até hoje Iara é tesoureira da creche, ou seja a família Moraes era tão amiga nossos quanto ele.

A partir dai foi se dando o afastamento de Zé Augusto de nossa casa, que terminou definitivamente na eleição de deputado que foi outra briga entre ele e minha mãe na casa de uma popular na Luiza Mendes onde ele recusando-se a mandar pintar sua logomarca no muro da casa da minha mãe, insistia que nós tínhamos feito a escolha pelos Moraes logo não fazíamos mais parte do seu grupo. Vale salientar que o nome dele foi sim pintado, mas por nossa conta e sobre ameaça de um certo cabo eleitoral dele na Cohab que dizia que iria apagar.  Mas essa briga tornou-se pública quando na minha campanha de Conselheira Tutelar ele disse a mim na Avenida 29 em frente à farmácia, quando fui lhe pedir que como não tinha pedido votos pra mim na primeira campanha e também não estava pedindo na segunda que pelo menos não tirasse meus votos, que onde fossem votar em mim ele deixasse não transferisse pra Eliel pois eu estava no mesmo grupo, a resposta dele não foi negar esse fato, ele olhou pra mim e disse que Diogo Moraes pedindo voto pra mim, então ele poderia ajudar pedir votos pra Eliel. Não discuti peguei em sua mão e ali me despedi com a seguinte afirmação: “Eu só vim lhe pedir pra não me atrapalhar, não pra deixar de trabalhar pra Eliel, mas não posso lhe obrigar. Porém tenha certeza, se um dia eu chegar tão alto como você chegou espero não fazer com meus amigos o que você está fazendo comigo”. Ali meu compromisso com Zé acabou, ele havia me mostrado que não tinha nenhum compromisso comigo que fui militante sua desde a infância, nem com a minha mãe que entrou com ele na política e junto a ele rompeu com Aragãozinho, quando ela chegou a assinar a demissão por fidelidade a ele e mais tarde com a família Vieira, com a qual apesar de não haver nada pessoal havia optado por ajudá-lo. Mas enfim, não tenho magoas ou ressentimentos só não comungo mais com os pensamentos dele não reconheço mais os seus ideais pelo bem público vejo-o, porém cercado de interesses pessoais que fazem o grupo girar em torno desses interesses, por isso rompi e não me arrependo.

Diário - Como os seus eleitores, que a elegeram para o Conselho, estão avaliando uma candidatura de vereadora?

Narah - Positivamente porque aprovaram o trabalho que desempenhei na primeira gestão por isso me elegeram ao segundo mandato, porém esses amigos sabem que não posso mais ser candidata e por desejarem que eu permaneça lhes representando e defendendo suas causas, apóiam minha candidatura a vereadora. Essas pessoas abraçam de maneira voluntária a pré campanha e costumam dizer que a câmara precisa de uma representante mulher que conheça os problemas e dificuldades das famílias santa-cruzenses.

Diário - Quais serão suas bandeiras políticas na campanha eleitoral? Que metas pretende levara câmara caso consiga um mandato?

Narah - A prioridade da minha campanha é por uma política mais inclusiva e socialmente mais justa, uma política diferente, menos ofensas e mais trabalho. Porque quanto maior a qualidade destas políticas, menor será a necessidade de ações de proteção especial.

Em relação à saúde vamos em busca de uma Unidade de Saúde da Mulher, que realize desde a orientação até o atendimento mais complexo. Para que a mulher santa-cruzense, não precise mais ficar perambulando pelas unidades de saúde das cidades vizinhas para receber o atendimento que é direito em seu município.

Na segurança visando à prevenção e o combate à violência contra a mulher, bem como à assistência e à garantia de direitos às mulheres em situação de violência vamos lutar pela implantação da Delegacia da Mulher.

Mais creches para atender a nossas crianças. Santa Cruz com mais de 87 mil habitantes só conta com três creches municipais, e esse é um direito previsto no Estatuto da Criança e do adolescente e necessidade das mães que precisam trabalhar e não tem quem cuidar de seus filhos de 0 à 4 anos.

Desejo ainda busca junto ao estado o Centro de Atendimento a Usuários de Drogas, (CAUD) em nosso município, porque durante esses 4 anos que atuei como conselheira já vi muitas famílias chorarem pedindo ajuda para recuperar seus filhos e na maioria das vezes voltar pra casa sem vaga nos centros já existentes nas cidades vizinhas.

Anseio como jovem que sou por Centros da Juventude que possam oferecer aos jovens de nossa cidade a oportunidade de praticar esporte como exemplo do projeto implementado por minha mãe Joselma no Dona Lica, onde mais de 300 jovens praticam jiu-jítsu. Vamos à busca da ampliação deste projeto nos bairros e nas demais modalidades de esporte, e cultura tão pouco incentivada na nossa cidade.

E por um ângulo feminino de ver nossa cidade quero junto a população tornar nossa cidade mais bonita e agradável através de um projeto de urbanismo e paisagismo plantar a semente da esperança nas ruas e praças de nossa cidade.

Enfim, tem muito a fazer e tenho consciência que é sim possível a partir da vontade, engajamento e mobilização popular, daqueles que querem uma Santa Cruz boa de viver. 

Diário - Existe preferência do deputado Diogo Moraes pela sua candidatura? Isso pode provocar ciúmes nas demais pré-candidaturas ligadas ao deputado socialista?

Narah - Sou amiga pessoal de Diogo e da família dele mas, tenho consciência e conhecimento da ética política dele, fica pra mim a mais somente a experiência e o exemplo de quatro anos a trás quando juntos fomos as ruas dessa cidade, sem preferências de ninguém além de seus próprios familiares em busca do voto de confiança da população. Tenho certeza que irá apoiar igualmente como presidente do PSB a todos os socialistas, e ainda como deputado de oposição a todos do palanque.

Diário - Após comandar a pasta de Ação Social por quase 10 anos sua mãe começou a receber duras críticas de antigos aliados. A que você atribui essa mudança, passando dos elogios para as críticas?

Narah - Pura e simplesmente a mudança do partido. Claramente isso foi explanado em sua festa de despedida da secretaria por dois vereadores da situação e pré-candidatos a prefeito, que em seus discursos falaram que ela era extremamente competente e tinha feito um brilhante trabalho, mas que por ter optado por mudar de palanque não poderia mais continuar no cargo.

Nesta festa disse e repito que me orgulho muito da minha mãe porque quando percebeu que o seu grupo, de mais de 25 anos não tinha mais compromisso com as causas sociais defendidos por ela a vida foi honesta e disse ao seu patrão que não apoiaria mais o grupo e deixava o seu cargo a disposição. Ela poderia ter ficado calada e como secretária recebendo o seu salário, mas quem a conhece sabe que ela não viveria esta farsa por dinheiro nenhum.

Diário - Qual o grande desafio das oposições para tentar derrubar um grupo político que vem de três vitórias em eleições municipais?

Narah - Simples, apresentar a população que é inteligente e está sofrendo o resultado final de 12 anos de poder desse grupo, é mostrar a limpeza de nossas ruas, os esgotos a céu aberto na falta de saneamento, a falta de transporte público, a falta de segurança municipal, o trânsito caótico que dividiu a cidade em duas, a saúde, que tem cirurgia plástica para a minoria e remédios vencidos, a má conservação dos dois únicos espaços de lazer Parque Florestal e Praça do Estudante, a educação que tem quase 50% de evasão escolar e falta de merenda nas escolas, a falta de áreas publicas porque os terrenos foram doados a particulares ligados ao grupo, enfim acredito que não podemos nem devemos aumentar nada do que ai está que é publico e notório, não concordo em denegrir imagem de ninguém, porque o que o povo de Santa Cruz quer é uma gestão publica de qualidade, um governo do povo e para o povo, uma gestão transparente e de projetos mensuráveis e o fim do apadrinhamento familiar que aqui perdura por 12 anos. O povo quer Mudança! 

Por Emanoel Glicério | Marcadores:

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