Um homem desarmado, com uma ideia na cabeça e aparente desespero foi o suficiente para bloquear o fluxo do trânsito dos transportes coletivos de Campina Grande (PB), no sentido Centro – Zona Sul na tarde desta sexta-feira (02).

Francisco Carlos Calisto da Silva, 31 anos, desempregado, alega que seu carro foi apreendido pela Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos – STTP, desde a semana passada, quando o mesmo levava seu filho, uma criança de colo, a um hospital no centro da cidade, sob a alegação de que o mesmo estava fazendo transporte alternativo de passageiros, uma prática clandestina. Francisco, que já havia trabalhado como condutor de transportes alternativos fazendo percursos clandestinos entre os bairros da cidade, afirma que não trabalhava mais como motorista de alternativos.

“Eu sou apenas um trabalhador, no momento eu estou desempregado, não quero meu carro pra rodar como alternativo. Quero o carro pra vender e pagar umas contas que tenho, e trabalhar em um emprego fixo, eu já ia vender o carro, ele está até com placa de venda”, afirmou o manifestante solitário.

A atitude de interromper o trânsito no centro da cidade Rainha da Borborema causou transtornos, desde o Terminal de Integração, no Parque do Açude Novo até a Praça da Bandeira, que em cerca de 15 minutos já estava congestionada, precisando de uma intervenção emergencial da STTP para desafogar o fluxo da rua Rui Barbosa, uma das transversais da Avenida Floriano Peixoto, ajudando a manter o trânsito em uma das principais rotas do centro.

Francisco disse que chegou a pedir ajuda ao prefeito da cidade, Veneziano Vital do Rêgo (PMDB) para que intercedesse em seu nome, e que o político havia se comprometido em público diante de populares, mas que nada havia sido feito, agora, ele esperava que a Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos resolvesse seu problema, liberando o carro.

“Eu só quero meu carrinho para vendê-lo, não quero trabalhar nele, só quero vendê-lo, pagar o que devo e arrumar um emprego de verdade. Não vou negar, eu já fiz [transporte] alternativo, mas vi que essa vida não tem futuro, eu tenho mulher e filho pra sustentar e preciso de um emprego direito, com carteira assinada”, disse emocionado.

Francisco Carlos afirmou que poderá voltar a protestar de forma enérgica em breve: “Eu preciso do meu carro de volta, caso isso não aconteça, na semana que vem vou me deitar novamente e atrapalhar o trânsito na frente da STTP ou em outro lugar, vocês vão ver, eu só quero tirar o carro e vender”, ameaçou.

Francisco Carlos Calisto da Silva, sua esposa, e seu filho, que chegaram quando o homem já estava deitado na faixa de pedestres, interrompendo o fluxo e o convenceram juntamente com a Polícia Militar a retirá-lo do local, foram levados para a Secretaria Municipal de Assistência Social – SEMAS em um veículo da própria secretaria. Em menos de vinte minutos o trânsito voltou ao normal.

Por Walter Miro

Por Emanoel Glicério | Marcadores: ,

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