“Grandes impérios viram pó; grandes homens, poema”

Por mais que certos clichês acerca da partida daqueles que são queridos sejam indispensáveis, eu os recuso. Não por querer profanar uma tradição dos que optam pelo luto. Reconheço o luto como importante instrumento para o fechamento de um ciclo. Ignorá-lo, para alguns, é, no mínimo, um ato de imprudência. 

Repito, porém, que recuso certos clichês. Digo mais, recuso as lágrimas que mais pareciam ter vida própria quando caíram pelo meu rosto ao saber da tua partida, bom amigo. Recuso tudo isso, por saber que você odiaria frases feitas, odiaria fazer, mesmo de forma indireta, outras pessoas se sentirem tristes.

A tristeza que sinto faz parte de um egoísmo material. Sei que estás conosco de uma forma muito mais interessante. Minha tristeza, e a daqueles que contigo conviveram, é por não mais poder absorver de você algo novo, algo bom, algo puro.

Minha tristeza, em particular, é por aquele projeto. O nosso projeto. Nosso projeto de transformar Santa Cruz numa cidade de ‘leitores de poesia’.  Dele, restou apenas, o sonho, que infelizmente, não terei competência de realizar sem tua sábia companhia.

Faço-lhe, portanto, a minha consideração em relação a sua partida: como diz o poeta Manoel Affonso, “Grandes impérios viram pó; grandes homens, poema”.

Fica em paz, segue em paz, Mestre Jorge Rodrigues!

Por Marilice Lopes

Por Emanoel Glicério | Marcadores: , ,

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