Presidente do PT não acredita em interferência de Humberto Costa

A novela que envolveu o PT na Capital da Sulanca criou uma discussão sobre uma possível interferência da executiva estadual para colocar a legenda no palanque Taboquinha.

Em entrevista concedida ao Diário da Sulanca o presidente municipal do PT, Moisés Américo, afirmou que acha estranho o senador Humberto Costa ter dado garantias de que o PT ficaria a reboque do PTB no município.

Diário - Existem muitas interrogações sobre a sua eleição para presidente do PT. Legalmente quem responde pelo partido?

Moises Américo - O processo de eleição se deu no dia 18 de dezembro, logo, toda parte burocrática foi encaminhada a direção do partido a nível estadual e nacional. Acredito que, por conta dos feriados e festas do fim de ano e recesso de janeiro atrasaram a regularização junto à justiça eleitoral. Estamos aguardando a regulamentação junto ao TSE, conforme determinou o Diretório Nacional. Mas, toda a parte estatutária foi cumprida a risca, conforme determina as resoluções do partido. Estamos tranqüilos, não acredito que ocorra ingerência a ponto de rasgarem a história do partido, ou que passem por cima de seu estatuto e da história de seus filiados para agradar alguém que chega de última hora com outros propósitos e sem identificação com o PT e sua dinâmica de funcionamento.

Diário - A ala liderada pelo vereador Deomedes Brito aposta em uma nova eleição interna no mês de abril, existe a possibilidade de novo pleito ocorrer?

Moises Américo - Não acredito, mas a pressão está acontecendo. Volto a repetir não estamos preocupados. Vamos para a disputa, se isso ocorrer. Agora, eu acho, no mínimo, estranho que o senador tenha dado garantias de intervir e transformar o PT de Santa Cruz em legenda de aluguel a reboque do PTB.

Diário - O senhor acredita em interferência da executiva estadual no processo de alianças municipais?

Moises Américo - O PT ainda é um dos poucos partidos em que ocorre a democracia interna, respeitando-se a decisão da maioria de seus filiados. Não imagino que Humberto Costa queira pagar dívida de gratidão, leiloando o partido como moeda de troca com quem quer que seja. 

Diário - O PT local vem fazendo uma série de encontro, essa semana será a vez de se reunir com a oposição. Qual têm sido as propostas debatidas pela legenda com os demais partidos?

Moises Américo - O PT está aberto para ouvir a todos que queiram debater a cidade. O PT é um partido plural, em que todos têm a oportunidade para se expressar independente da posição que ocupem. Nós estamos ouvindo e propondo também, estes encontros vão servir de base para construção do programa de governo e clarear ainda mais qual decisão tomar, se o partido resolver fazer coligação. Os temas são os pertinentes ao bom andamento de uma cidade com o potencial que tem Santa Cruz. Com Fernando Aragão, discutimos a situação do funcionalismo público, as condições de infra-estrutura da cidade e os serviços públicos de educação e saúde do município.

Diário - O senhor é a favor de candidatura própria ou aliança com uma das alas tradicionais?

Moises Américo - Essa questão sobre com quem o PT estará só deve ser debatida em 29 de abril no encontro de definição de tática eleitoral, ainda não é o momento de nós levantarmos esse debate. O PT é um partido plural, a gente tem que respeitar as diferenças. Vamos ouvir o que eles estão dispostos a nos dizer, no momento próprio tomaremos a decisão que melhor for para o PT e a cidade. Mas, na data própria vai se definir qual é o caminho que o partido tomará em 2012. Eu particularmente, como filiado tenho minha opinião, mas, como dirigente prefiro aguardar as coisas ficarem mais claras e ouvir os companheiros, vamos ter alguns seminários e encontros com outros grupos políticos e no momento oportuno, acredito que vamos tomar o melhor caminho.

Diário - Porque o PT ainda não se consolidou na Capital da Sulanca?

Moises Américo - As eleições em Santa Cruz são decididas pela força econômica: Quem tem mais acaba levando. Não importa quem seja o candidato ou as propostas apresentadas. O poder econômico é muito forte. Como o PT local é formado por jovens estudantes, professores e alguns pequenos comerciantes, o nosso poder econômico é insignificante em relação às duas alas políticas que se revezam no poder. No entanto, as conseqüências dessa lógica se manifestam no dia-a-dia das pessoas, quando se procura os serviços de saúde, educação e diante da precária infraestrutura da cidade.

Diário - Que projeto o PT tem para o município?

Moises Américo - O grande desafio do PT é fazer acontecer com que as políticas públicas adotadas pelo governo Lula/Dilma cheguem a Santa Cruz. Por exemplo: É inadmissível que o déficit habitacional que há em Santa Cruz não seja atacado; por que o Programa Minha Casa Minha Vida não acontece de forma plena em nosso município? Logo, uma administração do PT em Santa Cruz seria a oportunidade de por em prática as políticas que estão dando certo no Brasil. 

Por Emanoel Glicério | Marcadores: , ,

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