Tinha Raimundo Aragão formação primária devido as dificuldades inerentes à sua época, mas com boa instrução devido a ser leitor habitual.

Raimundo  Aragão tinha uma obssessão: a educação, tendo formado no mesmo ano oito dos nove filhos em cursos superiores, tendo sido manchete em dois jornais (Diário de Pernambuco e Jornal do Brasil, Rio de Janeiro).

O relato a seguir foi extraído do livro “Raimundo Aragão: Sua vida, suas obras”, do professor Lindolfo Pereira de Lisboa (homem culto, poliglota).

Realizado o seu maior sonho, a independência de Santa Cruz, Raimundo passou a sonhar outros sonhos, a educação de sua gente. Em 1956, o prefeito Raimundo Aragão resgatou no Rio de Janeiro o Padre José Aragão Araújo (Padre Zezé) e alugou o sobrado de número 101, da Rua Doutor Manoel Borba, hoje avenida Padre Zuzinha, abriram-se as matrículas para a preparação ao exame de admissão, uma espécie de vestibular que outrora se fazia para ingressar no curso ginasial (4 anos), hoje correspondente da 5ª à 8ª séries do primeiro grau. Contrataram-se os professores: o próprio diretor Pe. Zezé, Adauto Francelino Aragão, Pe. José Pereira de Assunção (Pe. Zuzinha), José Edival de Moraes, Dulcina Limeira Alves (a única viva e bem de saúde, irmã de Otávio Limeira Alves, que doou o terreno para o campo do Ypiranga, falecido prematuramente) e Lindolfo Pereira de Lisboa.

Todas as despesas eram por conta da prefeitura, pois o ginásio era municipal. Teve início o ensino médio em Santa Cruz do Capibaribe. Assim, o novo prefeito pensou na realização de seu sonho de administrador: criar um ginásio municipal. Com que recursos? Com o minguado dinheiro da prefeitura, com promoções sociais e com as doações volúntárias, isto em 1956.

Resolveu-se promover uma festa, a festa da areia, havia muitos caminhões que transportavam carvão para Recife, foram convidados, para em um dia de domingo, transportarem areia do Rio Capibaribe para o terreno (doado pela igreja) do futuro ginásio, todos cooperaram para a grande obra.

Em almoço festivo, no hotel de Dorinho França, o empresário Lourival José da Silva (Louro da Princesa do Agreste, que tinha sido caminhoneiro juntamente com Raimundo Aragão,) doa a quantia de três mil cruzeiros.

Realizou-se um grandioso baile, a festa da primavera, onde havia candidata a rainha da festa, o alvo foi atingido: dinheiro para o orçamento da pedra fundamental do futuro edifício para o ginásio.

Outra campanha no mesmo sentido de angariar recursos, uma comissão iria às cidades circunvizinhas, escolhidas Taquaritinga, Vertentes, João Alfredo, Surubim, Bom Jardim e Limoeiro. A comissão era constituída pelo Pe. Zezé, os professores Dulcina e Lindolfo e as senhoritas Sevy e Noemi Bezerra, contratou-se o carro de Zé Néu, as refeições eram na casa paroquial de cada cidade, à noite pernoitavam na casa paroquial e casa de família. A única despesa a ser tirada da arrecadação seria para pagar o carro a Zé Neú. Tudo ocorreu às mil maravilhas, exceto a falta de cooperação do Caudilho (Coronel Chico Heráclio) de Limoeiro.

Com poucos recursos e muita determinação construiu-se o Ginásio Municipal, hoje colégio Cenecista Padre José Aragão Araújo, tendo Raimundo Aragão trazido os irmãos Leite, José e Valdemir, do sertão, excelentes professores que muito contribuíram na formação da juventude santacruzensse. Começaram a aparecer professores, advogados, engenheiros, médicos, etc.

Raimundo Aragão também construiu a Escola Luís Alves da Silva e José Francelino Aragão, na sede e a Escola Amaro Aleixo de Barros, na Barrinha, a Escola Lagoa de Pedra, em Lagoa de Pedra, Escola Francisco Barros, em Cacimba de Baixo, Escola Professora Maria José, em Poço Fundo, Escola Professora Olindina Monteiro, no Pará e a Escola Mínima do Pará.

Santa Cruz do Capibaribe hoje possui até faculdade, o que lhe deixaria extremamente orgulhoso.

Por Marconi Aragão Florêncio, Médico Angiologista, Cirurgião Vascular

Por Emanoel Glicério | Marcadores: ,

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