As confecções formais, aquelas de heróicos empresários que decidiram desafiar a nova realidade global e continuar a produzir um produto nacional e gerar centenas ou milhares de empregos, estão com um sério problema: falta de costureiras. A costura, que sempre foi a mais apelativa das profissões, de repente não encontra adeptos. O porquê dessa nova situação ninguém sabe explicar. De fato, as causas dessa situação podem ser diversas.

Vamos enumerar algumas:

1 - Atualmente a juventude tem mais acesso à educação e, uma vez de posse de um diploma, a pessoa não quer optar pela profissão de costureira, que, para ela, soa como apelação de quem não estudou para fazer coisa melhor. Falso preconceito porque, na realidade, para muitas mães, verdadeiras heroínas do lar, foi o único meio de fazer filhos doutores.

2 - Outra causa que desestimula a profissão é que o ordenado de uma costureira não evoluiu tanto quanto o de outras profissões, pelo simples fato de que os produtos nacionais sofrem a desproporcional concorrência dos produtos chineses, o que obriga o fabricante a reprimir ao máximo seus custos.

3 - Em algumas regiões do Brasil, a mão de obra da confecção sofre uma concorrência desigual com o famigerado Bolsa Família. Exatamente. É uma profissão que tem sua origem nas classes mais necessitadas, onde famílias beneficiadas por esse sistema, para não perder o benefício, preferem trabalhar em casa, na informalidade, desprezando qualquer oferta de emprego formal.


Diante dessa nova realidade e da forte pressão das cada vez mais exigentes leis trabalhistas, que, paradoxalmente, tratam o gerador de empregos como bandido, o êxodo das confecções da produção própria para a produção terceirizada foi maciço, e continua sendo. Frente a uma situação nova e inesperada, o confeccionista não teve alternativa a não ser agir segundo o velho ditado: "Quando não puder com o inimigo, alie-se a ele". Na falta de costureiras, como último recurso, muitas vezes ele é obrigado a terceirizar seus serviços para algumas famílias que trabalham na própria casa e na informalidade. Isso é crime? Crime é assistir a uma desmedida invasão de roupas chinesas enquanto milhões de brasileiros não encontram emprego.


O problema da falta de costureiras é real e será cada vez maior. A costureira será coisa rara, mas a costura não acabará. Se de um lado será impossível ter uma produção formal com as tradicionais confecções, de outro a costura continuará sendo a atividade apelativa para os menos favorecidos enfrentarem o alto índice de desemprego. E, por incrível que pareça, será a ausência do mesmo fator que acabou com os empregos formais - a alta carga tributária - que, na produção informal, abrirá caminho para enfrentar o concorrido mercado dos importados.

Nossos governantes assistem a tudo isso inertes e com vista grossa, porque sabem que no fundo os culpados são eles próprios. Depois de vermos o desaparecimento de todas as grandes confecções, resta-nos uma pergunta: será que não é isso mesmo que os governantes querem?

Por Giuseppe Tropi Somma - Empresário e presidente da Abramaco.

Por Emanoel Glicério | Marcadores:

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