Na última eleição para conselheiro tutelar os vários candidatos da época tiveram seus números atribuídos por meio de sorteio, em números seqüenciais e sendo iniciado pelo dez (primeiro com dois algarismos, exigência da votação na urna eletrônica).

Durante a manhã de hoje (31.01) recebi a informação de que houveram discussões quentes no COMDECA (Conselho de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente) a cerca do sistema de numeração dos candidatos para o pleito deste ano. Motivo: o número vinte e quatro.

O mais lógico era se manter a mesma dinâmica da eleição anterior, com números decididos por sorteio e em seqüência, mas candidatos, em atitudes totalmente repudiáveis, protestaram contra o número “vinte e quatro” que, caso a contagem iniciasse por dez, deveria ser utilizado por algum dos concorrentes a Conselheiro Tutelar.

Para piorar, o COMDECA, que deveria agir firmemente para evitar atos de homofobia, tal qual este, compactuou com o ato e, sob protesto de poucos, decidiu que o próprio candidato escolhesse sua numeração.

O Brasil associou, de forma preconceituosa, o número “vinte e quatro” à homossexualidade, fazendo com que este número, em determinadas situações, possa vir junto de uma atitude homofóbica.

O COMDECA perdeu, assim, uma oportunidade de tratar do tema com a seriedade que ele merece e de, igualmente, dar inicio à quebra de preconceitos como este.

E, com esta decisão, tivemos mais uma constatação lamentável: os candidatos que se sustentam apenas por indicações políticas ou que apenas desejam se utilizar politicamente do Conselho Tutelar. Com a liberdade de escolher o número, alguns candidatos “apadrinhados politicamente” expressaram seu “lado político” com o número.

A eleição do Conselho Tutelar está tornando-se uma disputa política partidária com a (já conhecida) divisão mesquinha entre grupos políticos que tanto enfraquecem nossa democracia e levam nossa cidade para a ruína. Uma pena!

Por Euzébio Pereira Neto

Por Emanoel Glicério | Marcadores: ,

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