Por conta do embate eleitoral de outubro, que a cada dia se faz mais próximo, temos assistido nos últimos dias, a manifestações e atitudes de nosso mandatário maior, verdadeiramente afrontosas ao estado de direito e à democracia.

Não é raro assistirmos pela televisão, participações do mesmo em eventos inventados por“marqueteiros” e “mensaleiros”, “aloprados” e “afins” onde, trazendo invariavelmente à sua candidata a tiracolo, tal qual “papagaia de pirata”, desanda a desafiar o Judiciário Nacional com gestos e palavras absolutamente inadequadas para aquele que exerce o cargo de maior relevância em nosso País.

Na noite de quinta-feira, por exemplo, em evento patrocinado pelo PC do B disse textualmente que não podemos ficar subordinados ao que um juiz diz que podemos ou não fazer.

E todas essas bravatas têm sido ditas tão somente porque foi multado por duas vezes, peloTRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL por fazer campanha antecipada para a sua “gerentona”. E vejam que o valor das multas chega a ser risível, tal a sua insignificância econômica ...

E eu diria ao mesmo, se tivesse oportunidade: Podemos não, “cara-pálida”, devemos, sim, respeito ao Judiciário, pois é ele a expressão maior do que representa a Lei, a Constituição, a democracia e o estado de direito!

Entretanto, o mais grave disso tudo é que essas sandices, ditas por alguém que deve acima de tudo estrita observância às Leis e a Constituição de nosso País são, invariavelmente, motivo de aplausos pelos bajuladores de ocasião.

É fato lastimável sobremaneira!

Louve-se a atitude do Ilustre Ministro Gilmar Mendes, Presidente do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, quando, respondendo às críticas descabidas lançadas por Lula contra o Judiciário Brasileiro, afirmou que o Brasil não tem rei. E vou além.

Diria que mesmo que se estivéssemos num sistema monárquico e fossemos governados por um rei (o que não é o caso de Lula, obviamente, apesar de assim se sentir) até ele, como monarca, deveria observância à Constituição.

Na realidade, o que tem que ser lembrado, sempre, é que vivemos numa democracia, nosso Pais é o Brasil e não a Venezuela e Lula não é Chaves, muito embora deseje sê-lo ardentemente.

Em verdade, o que carece aos nossos governantes, a todos eles, é um ensinamento diário, uma leitura diuturna dos princípios fundamentais insertos em nossa Constituição para que tenham sempre em mente que não são “donos” do País, ou do Estado ou da Cidade por eles governados.

Digo isto porque não raras vezes nos deparamos com tal fenômeno e atitudes afins, quando vemos“prefeitinhos” (fazendo uso de um diminutivo comumente usado por um nosso conhecido), sentindo-se donos da cidade como se tivessem sido eleitos por vontade de Deus e não do povo.

É preciso que lembremo-nos sempre do princípio maior inserto como cláusula pétrea na vigente Constituição Federal, que diz que todo o poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido!

E, como tem dito Marina, o Brasil não precisa de “gerentões”, e acrescento, nem de “reis”!

Um abraço a todos.


Por PAULO ROBERTO DE LIMA - Graduado em Filosofia pela Universidade Católica, bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Recife e atualmente exerce o cargo de Procurador Federal.

Por Emanoel Glicério |

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