A vida familiar tem tomado conta da política brasileira como se chefes familiares tivessem o controle ou quisessem fazer da política uma sucessão familiar herdada de pai para filho. O modelo de sociedade que vivemos é o republicano, mas parece que não perdemos a tradição monárquica, que deveria, pelo menos na lógica, ter deixado o país em 1889.

Hoje, se formos dar um giro político sobre as lideranças, percebe-se que nossa vida pública, social e política são marcadas pelo poder familiar em todas as esferas do poder. Existe uma falta de formação de novas lideranças que prejudica a democracia e o processo de formação de novas idéias.

Podemos destacar alguns exemplos como: o ex-senador ACM, que tem o filho Senador e um neto Deputado Federal; o ex-governador Miguel Arraes, que tem a filha Deputada Federal, uma neta Vereadora, um neto Governador; o Deputado Federal José Mendonça, o genro Deputado Estadual, o filho ex-governador e um sobrinho ex-prefeito; Fernando Bezerra Coelho que foi prefeito de Petrolina e hoje é Secretario Estadual de Desenvolvimento tem o filho deputado federal e vários familiares que participaram ou participam da política; João Lira, vice-governador vai lançar a filha deputada estadual; João Paulo, ex-prefeito do Recife vai ter o filho candidato a deputado estadual; Silvio Costa, deputado federal e o filho estadual; Senador Sergio Guerra lançara a filha federal; prefeito de Caruaru Zé Queiroz, que tem o filho Deputado Federal.

A nível municipal, numa época os irmãos mãozinha eram vereadores numa mesma legislatura; Raimundo Aragão e Aragãozinho foram prefeitos; Nailza Ramos e o pai foram vereadores; Chico de Deda foi vereador por três mandatos e hoje o neto Fabiano Glicério foi candidato; Noronha foi vice-prefeito e o filho Ernando foi prefeito; temos os Maias, que teve Zé Augusto como Prefeito, o filho coordena o CIRETRAN, o sobrinho é Vereador e a cunhada é Secretaria de Educação; o ex-deputado estadual Augustinho Rufino lançou a esposa a prefeitura e que hoje deixou seus genros como sucessores, um Vereador de Santa Cruz e o Prefeito de Toritama; Zinha Vieira que foi candidato a vice-prefeito em 1988 tem o filho como Deputado Estadual, que por sua vez já teve um tio como Vereador; o Diretor do LAFEPE Oséias Moraes tem o filho Vereador em Santa Cruz.

Desta forma, percebe-se que o poder está controlado nas mãos dos mesmos. Trocam os nomes, mas os sobrenomes continuam disputando os espaços políticos. Não quero aqui discutir a capacidade de cada um, mas, é importante fazermos uma reflexão para não continuarmos na mesmice.

Devemos ocupar os espaços e travar um debate sobre qual o papel político que cada um deve ocupar na sociedade. Espera-se que surja no seio da sociedade e da juventude novas oportunidades, novas lideranças.

Por Gilson Julião – Graduando em História pela Universidade Estadual da Paraíba.

Por Emanoel Glicério |

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