Terezinha se diz vitima de uma cilada política no episódio em que ela é acusada de chamar Santa Cruz de periferia de Caruaru

Poucos sabem, mas a deputada Terezinha Nunes (PSDB), fiel aliada do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), é paraibana da cidade de Teixeira. Formada em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, Teresinha logo descobriu a paixão pela política e antes de se tornar Deputada Estadual passou pela Prefeitura do Recife e pelo Governo de Pernambuco, sempre auxiliando seu líder político.

Para alguns ela é uma “Persona non grata” na Capital da Sulanca devido a uma frase que ficou marcada nos santa-cruzense.

Terezinha teria dito em uma audiência na ALEPE que Santa Cruz seria uma periferia de Caruaru, porém a deputada afirmou que tudo isso não passou de uma cilada política e que teria sido feita por pessoas com medo de ela conquistar votos na região.

Confira a entrevista exclusiva concebida ao Diário da Sulanca.

Diário - A oposição ficou refém do nome do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), sem o senador da disputa de outubro imagina-se que Eduardo Campos (PSB) vença por WO. Como à senhora analisa esse quadro?

Terezinha - Bem, na verdade Jarbas é o nome mais forte para enfrentar e vencer Eduardo, então seria natural essa convocação a ele. Ele mesmo disse que não gostaria de entrar na disputa este ano, mas eu o acompanho há anos e sei que muitas vezes ele não quis ser candidato e acabou entrando, por força da pressão dos aliados e venceu. Agora é a mesma coisa. Eleição em Pernambuco seja qual for é muito disputada. Lembro que na reeleição de Jarbas, por conta da força de Lula, Humberto Costa só não conseguiu levar a disputa para o segundo turno por quatro a seis pontos. Jarbas é fortíssimo e não tenho dúvida que vencerá e que dará vitória a Serra em Pernambuco.

Diário - Como a oposição avalia os altos índices de aprovação de Eduardo Campos, e que discurso será utilizado na campanha para reverter esse favoritismo do grupo governista?

Terezinha - A avaliação positiva de Eduardo está centrada na popularidade de Lula, mas não tem consistência na população. A popularidade de Jarbas é diferente. É dele mesmo. Não depende de outras pessoas. Vamos à campanha mostrar que o Governo Eduardo é mais propaganda do que ações enquanto o de Jarbas foi de profundas realizações. Basta citar Suape, que ele tirou de dentro d’água, para receber os grandes investimentos e da BR-232, só para citar esses. Se Eduardo enfrentasse qualquer um dos nossos a eleição não seria fácil. Com Jarbas vai ser duríssima. Não é à-toa que ele está esperando a definição de Jarbas para escolher sua chapa. Se tivesse força sozinho a chapa já estaria composta.

Diário - A senhora é tida como uma defensora fiel do senador Jarbas Vasconcelos. Isso poderá ajudar na sua reeleição?

Terezinha - Olha, sou defensora de Jarbas não só pelo grande homem público que ele é, mas porque tive a honra de trabalhar com ele durante quase 20 anos. Também defendo o senador Sérgio Guerra, outro grande homem público pernambucano e o senador Marco Maciel, outro grande exemplo. Em termos de pessoas honradas e preparadas nós temos os melhores. Não é nenhuma bondade defendê-los. É uma obrigação.

Diário - Que balanço a senhora faz deste seu mandato, e o que a senhora destaca como grandes conquistas?

Terezinha - Cheguei à Assembléia com um grande apoio. Tive 45 mil e 700 votos. Trabalho dia e noite para honrar o compromisso que assumi com os meus eleitores. Como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia promovo constantes debates e mobilizações sobre temas que interessam a sociedade como segurança, prédios-caixão (esta grande mazela que infelicita a Região Metropolitana) sobre as minorias, os índios, os quilombolas, enfim, as pessoas mais humildes e discriminadas. Defendo também os interesses gerais de Pernambuco como é o caso dessa luta contra o esvaziamento da Chesf. Um dos meus projetos de maior repercussão foi o que concede isenção de taxa de inscrição nos concursos promovidos pelo estado para as famílias que têm renda mensal de até três salários mínimos.

Diário - O pólo de confecções do agreste é uma das regiões mais importantes do estado de Pernambuco, porém ao longo dos últimos governos vem sendo esquecida e recebendo um tratamento aquém do seu potencial. Como à senhora ver essa região e que propostas à senhora têm para a região?

Terezinha - Fiquei abismada ao visitar o ano passado Santa Cruz e Toritama com um grupo de deputados e descobrir que nem uma agência do Banco do Nordeste existe nessas cidades. Este é um descaso sem tamanho. Esta região está sendo desenvolvida pela força do povo, mas não é por isso que o poder público deve deixar de investir. Falta saneamento, planejamento urbano, abastecimento d`água, política de meio-ambiente. É preciso um plano de desenvolvimento urgente para esta área com o apoio Federal e Estadual, além do Municipal . O senador Sérgio Guerra tem como uma das prioridades levar o nosso candidato a presidente José Serra para conhecer o trabalho de vocês para se comprometer com um projeto futuro. Vocês precisam ser estimulados ainda mais porque já mostraram do que são capazes.

Diário - A imagem da senhora ficou arranhada em Santa Cruz do Capibaribe após o episodio em que a senhora teria taxado a cidade como periferia de Caruaru. A senhora foi mal interpretada? O que realmente quis afirmar naquele momento?

Terezinha - Aquilo foi uma maldade enorme que fizeram comigo. Apesar de eu ter esclarecido foi vítima de uma cilada política. Na verdade eu estava defendendo uma Região Metropolitana tendo como centro Caruaru e me referi às regiões periféricas que é um termo usado em economia. Jamais falei em "periferia" em termos pejorativos como tentaram interpretar. Acho que foi gente que ficou temendo que eu pudesse conseguir votos na região. Pessoas mesquinhas, evidentemente. Na Assembléia tenho defendido Santa Cruz e Toritama como unhas e dentes.

Diário - Que avaliação a senhora faz do governo estadual nas seguintes áreas: Educação, Saúde, Segurança.

Terezinha - Vamos por uma área que está um pouco melhor que é segurança, mas melhorou só no Grande Recife. O interior está abandonado e a violência está crescendo. Na educação o Governo nada fez. Pelo contrário na administração Eduardo caiu o nível dos estudantes das escolas estaduais. Em todos os testes feitos pelo MEC Pernambuco está abaixo da média. As escolas em tempo integral de Jarbas, que o governador atual prometeu ampliar, ele fez isso para pior. Enquanto as de Jarbas funcionam com todas as condições as de Eduardo, inauguradas a toque de caixa são depósitos de alunos. Sem laboratórios, bibliotecas com duas refeições ao invés de quatro. Sem fardamento adequado e sem livros suficientes. Uma lástima. Na Saúde mais uma vez o governador tem trabalhador mais na RMR e abandonado o interior. Mesmo assim resolveu construir novos hospitais, mas os antigos estão abandonados. Temos agora a discriminação dos doentes: uns para hospitais melhores e os demais têm que amargar todas as mazelas de hospitais abandonados.

Por Emanoel Glicério |

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