Ao senhor Ivanildo Sampaio,

Vestindo a verdade

O grande estadista inglês Winston Churchill certa feita disse: Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir. E foi assim que a população de Santa Cruz do Capibaribe se sentiu ao ler o editorial “O exemplo do Agreste” no Jornal do Commercio na manhã de sábado, em 30 de janeiro de 2010.

Todos sabem que a atividade confeccionista no Agreste pernambucano nasceu em Santa Cruz do Capibaribe, o pólo de confecções começou em Santa Cruz do Capibaribe, isso é fato, é a história, é a verdade. Contudo, no início do terceiro parágrafo do editorial “O exemplo do Agreste, uma inverdade vestida de equívoco, lapso ou mesmo de ignorância, não sei, só sei que a inverdade despiu a verdade e maculou um editorial que tinha tudo para ser muito bom.

O começo do terceiro parágrafo do editorial diz “O pólo de confecções nasceu em Caruaru...”. Santa ignorância. Seria o mesmo que dizer que Santa Cruz do Capibaribe é a Capital do Forró, ou que o Mestre Vitalino fez surgir à arte do barro em Santa Cruz. A César o que é de César. Neste caso, a Caruaru o que é de Caruaru e a Santa Cruz o que é de Santa Cruz.

Isso me fez lembrar uma história, durante a Olimpíada do Conhecimento 2006 realizada pelo SENAI em Recife, eu estava participando de uma tarde de autógrafo do meu livro Caminhos do Desenvolvimento no espaço Café SENAI, e enquanto eu autografava e contava a uma senhora um resumo da história empreendedora da atividade confeccionista em Santa Cruz do Capibaribe descrita no livro, seu filho de cerca de 10 anos de idade ouvia tudo atentamente. Quando terminei de autografar o livro da mãe do garoto, ele olhou pra mim e perguntou:

- Eu posso fazer uma pergunta ao senhor?

Eu imediatamente respondi que sim, e aí ele veio com uma pergunta extraordinária.

- Por que eu não aprendo na escola a história que o senhor contou para minha mãe?

Eu fiquei maravilhado com o questionamento, um garoto de cerca de 10 anos de idade acabará de me mostrar uma falha no nosso sistema de ensino em Pernambuco. Nossos jovens vão para escola aprender a importante história econômica da política do Café com Leite entre São Paulo e Minas Gerais, todavia, não aprendem a importante história econômica do pólo de confecção do estado de Pernambuco. Uma história igualmente rica e que num futuro próximo pode representar uma excelente oportunidade de trabalho para esses jovens.

Se a história do pólo de confecções do Agreste pernambucano fosse ensinada aos nossos jovens nas escolas públicas e privadas de Pernambuco, seria mínima a chance de ganhar vida inverdades como a do editorial “O exemplo do Agreste” do Jornal do Commercio. Esperamos uma justa retratação do Jornal do Commercio e, quem sabe, esperamos que o Jornal do Commercio também possa levantar a bandeira do ensino da história do pólo de confecções do Agreste nas escolas de Pernambuco.

Ao povo empreendedor de Santa Cruz do Capibaribe e aos que leram a inverdade no editorial do glorioso Jornal do Commercio, deixo uma conhecida passagem bíblica: Perdoa-lhe Senhor, ele não sabe o que diz.

Saudações empreendedoras,

Bruno Bezerra

Diretor de desenvolvimento e Empreendedorismo

CDL – Santa Cruz do Capibaribe

Por Emanoel Glicério |

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