Eduardo Campos (PSB) governa como se estivesse em uma eterna lua de mel com Pernambuco, Sérgio Guerra (PSDB) continua afirmando que sua tarefa é unir os tucanos para a eleição presidencial, Jarbas Vasconcelos (PMDB) parece muito confortável na tribuna do senado federal, João Paulo (PT) faz de conta que é candidato ao senado e tenta negar o interesse pelo governo do estado.

Essa é a imagem que os principais líderes políticos do estado tentam passar para a população, mas por trás dessa aparente normalidade já se iniciou o jogo político de 2010.

Eduardo Campos é o candidato natural das forças de esquerda e deve tentar a reeleição ao Palácio do Campo das Princesas, além de conta com a simpatia do presidente Lula. João Paulo é a maior estrela petista da atualidade e usa imagem de bom moço para conquistar aliados fora da região metropolitana do Recife, Sérgio Guerra começa a reunir sua base política e se articula com antigos aliados e neo-tucanos. Jarbas Vasconcelos conversa amiúde com Mendonça Filho e tenta reconstruir a antiga União por Pernambuco.

Em comum o interesse dos quatro políticos em comandar Pernambuco a partir de janeiro de 2013.

Mas o sonho do quarteto fantástico da política pernambucana pode esbarrar no sentimento de renovação que emana no povo da terra do frevo e do maracatu.

Pernambuco é conhecido pela sua polarização em eleições importantes como a de 2010, um exemplo ocorreu na última eleição estadual quando três candidatos disputavam o comando do Campo das Princesas, mas apenas dois chegaram à reta final com chances de vitória.

A polarização entre esquerda e direita beneficiou Eduardo Campos (PSB) e Mendonça Filho (DEM), excluindo Humberto Costa (PT) do segundo turno. Na ocasião o sentimento de renovação tirou Eduardo Campos dos medíocres 3% das pesquisas de inicio de campanha e o levou a uma vitória inquestionável no segundo turno das eleições.

Em 2010 a historia tende a se repetir, as forças de esquerda conta com dois candidatos, o governador Eduardo Campos e o prefeito do Recife João Paulo, mas a polarização ira rifar um dos dois. O mesmo ocorre na antiga União por Pernambuco que terá que escolher um dos senadores, Jarbas Vasconcelos ou Sérgio Guerra, levando o preterido a amargar uma derrota que não estava nos planos.

Afora à polarização, que levará apenas um candidato de cada ala política ao segundo turno, ainda teremos o sentimento de renovação política, Jarbas já foi prefeito e governador duas vezes e atualmente é um dos nomes na geração política que começa a se despedir da política local. Eduardo Campos, que soube muito bem aproveitar esse sentimento de renovação em 2006, implantou um estilo de governar muito parecido com o do seu avô Miguel Arraes e pode ter perdido uma boa chance de fazer uma gestão moderna e inovadora. Sérgio Guerra ainda carrega a mancha da CPI dos anões do orçamento e faz parte da mesma geração de Jarbas Vasconcelos. João Paulo faz parte de uma nova geração, é um político inovador e de um carisma inquestionável, mas disputa a preferência da esquerda com Eduardo.

Um dos quatro sairá vencedor desse jogo, mas cada um terá que fazer as apostas corretas e jogar de acordo com as regras políticas de Pernambuco, onde quem conseguir vender uma imagem de renovação e ao mesmo tempo desafiar o concorrente ideal para o combate, terá feito metade do caminho rumo ao Campo das Princesas.

Por Emanoel Glicério |

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