O Conselho da Micro e Pequena Empresa - COMPEM, da Federação das Indústrias da Bahia (FIEB) irá promover palestra sobre o Pólo de Confecções de Santa Cruz do Capibaribe, dia 18 de março, às 17 horas.

A palestra inaugura um workshop, patrocinado pela FIEB, voltado para os empresários de indústrias de confecção e representantes do poder público, como o BNB. O palestrante será Bruno Bezerra, diretor do CDL de Santa Cruz do Capibaribe.

O município pernambucano de Santa Cruz do Capibaribe, que forma junto com Caruaru e Toritama, o chamado Pólo de Confecções do Agreste (a tendência é que outros municípios da região também venham a integrar o Pólo).

O desafio da região vai ser sustentar o crescimento da indústria, com as dificuldades que vai enfrentar, como a falta de infra-estrutura e a própria linha de fabricação.

Na questão da infra-estrutura, são dois os principais problemas, além de problemas de marca:

1 - a estrada para escoamento da produção.

2 - a falta de água e a falta de fiscalização das lavanderias de jeans na região.

3 - ausência de uma identidade cultural de marca.

Atualmente, o escoamento é feito pela BR-104, que não é uma boa estrada, por não ser duplicada, e também por não ser muito segura (frequentemente acontecem assaltos na região). Além disso, o grande volume de veículos que trafegam diariamente, assossiado ao tráfego de grande porte, como caminhões, carretas, etc., bem como a ausência de acostamentos. Tudo isso contribui para as limitações cada dia maiores dessa estrada.

Outra: os compradores dos municípios vizinhos que se dirigem à Toritama e Santa Cruz do Capibaribe na maior parte das vezes precisam estar com dinheiro em cash, pois ainda é baixo o número de transações com cartões de crédito. Tudo isso é um prato cheio para os ladrões, que roubam o dinheiro, ou as próprias mercadorias.

Para os próximos anos, a promessa é de duplicação da BR-104, pelo atual governo. Depois de observar os benefícios da duplicação da BR-232, não é especulação dizer que duplicar a 104 também será um ótimo investimento.

Quanto ao 2º ponto que levantei, pode-se dizer que, além da falta de água, existe uma questão ambiental. Algumas lavanderias conseguem fazer um processo de reaproveitamento da água utilizada, mas, no final, o destino é sempre o mesmo: o rio Capibaribe. Existe uma determinada localidade do rio, que ele é chamado “Rio Azul”, justamente pelo excesso de despejo da água resultante da lavagem do jeans, que ocorre impunemente, em todo o Pólo. A poluição do Capibaribe já vem desde lá, não ocorre apenas no Recife.

Por fim, podemos identificar um outro problema, de ordem talvez mais complexa tecnicamente, que atinge de forma direta a qualidade dos produtos.

É a falta de uma identidade de marca na produção.

Quando nós vemos as confecções que são produzidas, com um olhar que nem precisa ser muito clínico, percebemos claramente a ausência da identidade de marca. Veja na foto abaixo, apenas uma ilustração do que digo:


Essa imagem ilustra o fato de existir na região um grande números de “fabriquetas” familiares que não conseguem desenvolver uma forte identidade de marca. Vejam esta outra marca:



Nem é preciso entender muito de moda para saber a importância da “identidade de marca” para entrar de forma competitiva no mercado. Talvez a única fábrica da região que tenha sido bem sucedida nisso, seja a Rota do Mar, que teve um ingresso positivo no mercado, para além do Pólo.

Muitas vezes, o que se vê é um anacronismo na própria estética dos produtos. Por exemplo, em uma determinada novela da Globo (qual seja ela) aparece um personagem utilizando um estilo de roupa (sabemos que as novelas são lançadores de moda). De pronto, essas “fabriquetas” começam a produzir cópias dos modelos. Ao lançar no mercado, os modelos estéticos da roupas já estão defasados.

Isso se dá pela grande volatilidade do mercado da moda, que está sempre se “renovando”. Como fugir disso? Evitando o pastiche, a cópia mal-feita de modelos são lançados no mercado já ultrapassados. No interior de Pernambuco, quem dá aula nisso (e, não se trata apenas de marca), são os municípios de Pesqueira e Poção, com sua produção de Renascença, que vão além da volatilidade do mercado da moda, criando forte lastro cultural.

O ideal para lidar com o problema específico da marca seria a oferta de cursos de design de moda para os produtores da região, e capacitações sistemáticas, com consultorias nas áreas de identidade cultural de moda e em administração (pois a maior parte das “fabriquetas” são familiares e amadoras, ainda pouco dispostas à inovação e a profissionalização.

Para que a indústria do Pólo de Confecções do Agreste se fortaleça até em nível nacional, é indispensável o desenvolvimento de identidades de marca, buscando a qualidade e não apenas a quantidade. Sem isso, serão quase em vão os investimentos em infra-estrutura.
Deu no Blog Acerto de Contas ( http://acertodecontas.blog.br )

Por Emanoel Glicério |

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