Em tempos que já vão muito longe, o Ypiranga, de Santa Cruz do Capibaribe, que hoje participa do Campeonato Pernambucano, recebia uma equipe da cidade de Serra Branca, Paraíba, Estado com o qual a Terra da Sulanca, também chamada de Terra das Confecções, faz divisa.

Atualmente dá até gosto jogar no Estádio Otávio Limeira Alves, onde conseguiu-se o milagre de fazer nascer grama. Mas na época do caso que aqui vai ser narrado, o campo era coberto de pedregulho. Tanto mais se retirava, mas as pedrinhas apareciam, principalmente depois de uma boa chuvarada.

Pelo hoje tapete do Ypiranga, desfilaram verdadeiros ídolos da terra, como o goleiro Zé Fuminho, Guila, Pedro Rododó, Afonso, Estoécio, Nelson, Pedrinho, Lulu, Joãozinho, Vicente, Dida, Totonho, Arnon e Nelson de Pretinha. Mais tarde, Ti, Val, Toinho, Augustinho, os irmãos Zé Ronaldo e Zé Roberto, e muitos outros. Eles conseguiam driblar as pedras e fazer a massa vibrar.
Naquele amistoso com o time de Serra Branca, o Ypiranga, reforçado, como sempre, por alguns jogadores de Caruaru, como Catolé, Lulinha, Cebinha e Zé Bom estava a todo vapor, fazendo logo dois a zero. Quando os santacruzenses marcaram o segundo gol, os da Paraíba protestaram. Alegando que o juiz – da casa – estava puxando para seus conterrâneos, os paraibanos tiraram o time. E tome apelos para não abandonarem a luta, mas eles não queriam acordo. O pessoal de Santa Cruz procurou fazer pressão, dizendo que não pagaria a cota combinada, mas os visitantes estavam irredutíveis. Não tinha importância. O dinheiro dos santacruzenses, que ainda não haviam descoberto a sulanca, não lhes faria falta.

Depois de muita discussão as duas partes chegaram a um acordo. A equipe de Serra Branca voltaria a campo, mas com outro árbitro. Além disso, os minutos disputados até então seriam anulados e a partida recomeçaria do zero, com dois tempos de 30 minutos, pois não havia iluminação no estádio e já ficava tarde.

A bola voltou a rolar, o Ypiranga prosseguiu mandando na partida e fez mais quatro. Só Cebinha marcou três, e os outros foram de Catolé, Dida e Joãozinho – a equipe paraibana ainda marcou um. No fim, os paraibanos voltaram a Serra Branca, lamentando a derrota por 4 x 1.

Para o pessoal da terra, os dois gols “anulados” continuavam valendo, e a goleada de 6 x 1 foi festivamente comemorada no bar de João Deodato, com muita festa e muita loura suada.

Foi um raríssimo caso de uma partida de futebol ter tido dois resultados.

Por Lenivaldo Aragão

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Fonte: www.nopedaconversa.com.br

Por Emanoel Glicério |

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