Show de balé

Não sei se começo falando de futebol ou de balé. Eu já andava esquecido de Ana Botafogo, Rudolf Nureyev, Anna Pavlova, Vaslav Nijinski e outros bailarinos famosos, quando de repente, num jogo de futebol, aparece um jogador lá de Santa Cruz do Capibaribe, fazendo miséria com os braços, numa harmonia perfeita com a cabeça e o corpo, e revelando-se um bailarino.
Estou falando de Edmundo, atacante do Ypiranga, e desconfio que foi esse cara que ensinou Carlinhos de Jesus a dançar. Não sei se aquilo que lê dançou foi o Quebra Nozes ou o quebra galho, a verdade é que lê deu um show, com um braço e com o outro, conduzindo a bola até ser derrubado pelo zagueiro Marcelo Heleno que não entende de balé. O juiz, que não era a Bela Adormecida, não viu nada e marcou o pênalti.
Aí, Zé do Carmo arretou-se, esqueceu do Bolshoi, da velha amiga Margot Fonteyn, e sua vontade foi afogar o juiz no Lago do Cisne.
Eu também não entendi porque Antonio André deixou o jogador fazer aquilo tudo com os braços e uma das mãos, esquecendo os pés que trabalham mais com a bola. O Santa não jogou nada, a vitória do Ypiranga foi merecida. O juiz errou e as más arbitragens continuam.

Por Lula Carlos




Por Emanoel Glicério |

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