A justiça e as mídias sociais

Nossa sociedade vive na era da tecnologia. Em pesquisa recente, o número nas vendas de smartphones vem surpreendendo cada vez mais. Basta observarmos nas ruas, lojas, restaurantes e demais lugares, que percebemos as pessoas manuseando seus celulares, sempre conectadas nas redes sociais. Hoje em dia está difícil conversar normalmente com as pessoas, pois sempre encontrados um celular no meio do caminho.

Atualmente, os sistemas de acompanhamento processual exibem o andamento dos processos, onde é possível qualquer cidadão acompanhar despachos e decisões, com exceção daqueles considerados segredo de justiça. Basta tão somente o interessado estar com o equipamento conectado a uma rede wi-fi, que imediatamente saberá o resultado de um processo, sem a necessidade de se deslocar até o fórum, muitas das vezes aguardando horas para ser atendido por um servidor público.

A partir dessa facilidade encontrada graças ao avanço da tecnologia, fica o Poder Judiciário obrigado a acelerar a prestação da tutela jurisdicional. Em questão de minutos, podemos ter acesso aos comentários em blog´s especializados ou não, de decisões que deveriam ter sido tomadas há bastante tempo, a exemplo do mandado de segurança, cujo prazo para ser decidido encontra-se capitulado em lei, mas que infelizmente muitas vezes não são observados pelo magistrado, sempre com o argumento de acúmulo de serviços.

Com o aparecimento das mídias sociais, é possível saber as idéias da opinião pública sobre determinados assuntos que estão na pauta de julgamentos em nossos Tribunais. Assim foi com o caso do “mensalão”, em que muitos condenados justificaram suas penas em razão da pressão criada pela imprensa sobre os Ministros do STF.

Não importa o meio criado pela sociedade para cobrar a aplicação da justiça, pois o que interessa é a sua efetivação. É mais fácil uma denuncia chegar através do facebook, do que um cidadão adentrar numa favela, perceber o crime acontecendo e não poder gritar ou buscar a proteção da policia, porque às vezes a própria policia é o bandido, a exemplo do que aconteceu com o sumiço de Amarildo numa favela do Rio de Janeiro.

Cabe ao Estado se adaptar à nova realidade, criando mecanismos que facilitem a vida de todo cidadão, que não suporta mais uma justiça tardia e falha. Com os novos tempos vividos na era da informática, todo operador do Direito (juízes, promotores, advogados, defensores públicos, procuradores, etc) têm a obrigação de sacudir suas idéias, muitas vezes ainda enraizadas pelo excesso de formalismo processual, abrindo sua mente para a aplicação de uma justiça em tempo real.


Por Marcelo Diógenes

Por Emanoel Glicério | Marcadores: ,

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