Análise de Marisa Gibson, do Diario:

No livro O Príncipe, escrito para subsidiar a atividade política, Maquiavel deixou para o mundo uma clássica tese.

Ao questionar se para um príncipe era melhor ser amado ou ser temido, o pensador renascentista concluiu que, como as duas qualidades são excludentes, é mais seguro ser temido do que ser amado.

Pois bem, aos 47 anos de idade, completados hoje, o governador Eduardo Campos pode se empavonar: pelo menos em Pernambuco, ele é amado e temido.

Muitos dos que irão hoje ao Centro de Convenções, onde está funcionando a sede do governo, para parabenizá-lo estarão lá porque gostam dele e querem demonstrar esse sentimento, que às vezes chega a um nível de adoração.

Agora, uma outra grande parcela estará lá porque teme muito o governador, que concentra um poder político nunca visto no estado. Por baixo de sua reconhecida capacidade de diálogo e de articulação, Eduardo exerce a política com mão de ferro.

Às vezes, dizima seus adversários. Já fez isso com a oposição em 2010. E hoje no estado ninguém quer ser inimigo político de Eduardo. Prova disso é a esperada presença do senador Humberto Costa (PT), no beija-mão do governador.

E o petista vai lá na condição de ex-secretário das Cidades e “amigo, com quem mantém um bom relacionamento”, embora esteja enfrentando uma disputa pesada contra o PSB do governador que quer destronar o PT da Prefeitura do Recife.

Já houve tempos que se dizia que Eduardo guardava mágoas na geladeira – outro motivo para temê-lo. Mas sobre isso, o governador, ao que parece, já se desfez de quase 100% de suas mágoas, ao aceitar a reconciliação com seu arqui-inimigo Jarbas Vasconcelos (PMDB), cujos desentendimentos políticos chegaram a resvalar para o lado pessoal.

E o senador peemedebista, que também vem se despindo de seus ressentimentos, vai lá abraçar Eduardo. Enfim, neste aniversário, mais do que em qualquer outro, o governador deve estar flutuando, em estado de graça.

Além de ser amado e temido, é um presidenciável e sabe que a população do estado, que confere ao seu governo uma aprovação em torno de 90%, espera vê-lo subindo a rampa do Palácio do Planalto. Melhor do que isso, impossível.

Do Diário de Pernambuco

Por Emanoel Glicério | Marcadores:

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