A semana que se encerra foi bastante movimentada pelos depoimentos de oito pessoas que receberam terrenos públicos das gestões de José Augusto Maia (PTB) e Toinho do Pará (PTB).

O presidente da CPI dos Terrenos Públicos convocou 11 depoentes, apenas nove assinaram a convocação e apenas uma (Siele Siqueira, ex-cunhada do prefeito) não compareceu. Entre os depoimentos algumas revelações inusitadas como o caso de Deoclécio Filho, que afirmou que foi comunicado de um programa de doações de terrenos e deixou toda a sua documentação na Secretaria de Infra-estrutura, sem nem ao menos se preocupar em pegar um protocolo.

Apesar de existir um alvará de construção em seu nome, Deoclécio afirmou que nunca recebeu nenhuma resposta sobre se teria ou não ganho o terreno, e confessou que se soubesse já teria construído no local.

Outro caso curioso envolve Breno Blaude de Melo e José Plácido Junior, que negociaram um terreno que havia sido doado, de acordo com Breno, pelo então secretário Galego de Mourinha.

Breno de Melo afirmou na CPI que havia solicitado um terreno a Galego de Mourinha, já que necessitava de uma área para construir sua própria residência, e um mês após a doação recebeu a noticia de que a doação havia sido cancelada. Mesmo assim o terreno foi negociado por 19 mil reais com José Plácido Junior, que confessou ter comprado a área a Breno de Melo.

Em outros dois casos foram citadas doações que aconteceram na gestão de José Augusto Maia. O comandante da Guarda Municipal, Getulio Pacheco, e a ex-tesoureira da câmara de vereadores, Susiane Amorim, confirmaram que receberam as doações ainda na gestão de José Augusto Maia.

De acordo com Getulio Pacheco, ele procurou a então secretária de infra-estrutura Patrícia Souto e solicitou um terreno para construir sua residência, a liberação aconteceu no dia 30 de dezembro de 2008, no apagar das luzes do governo de José Augusto.

Já no caso de Susiane Amorim, ela revelou que a doação partiu diretamente de José Augusto Maia, com quem ela conversou sobre o assunto. Susiane alega que no momento não sabia que a doação era irregular, e que se tivesse alguma dúvida não teria aceito.

Os primeiros depoimentos mostram que ainda há muito que se investigar, e que a CPI terá que contar com o apoio da sociedade para desempenhar seu papel com legitimidade. Apesar do terrorismo que existe em torno da CPI, só com essas investigações é que saberemos quem saqueou os terrenos públicos do município.

Por Emanoel Glicério | Marcadores: , , ,

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