Izaquiel Arruda falou a nossa coluna sobre os significados da semana santa


Olá pessoal! Como estamos em plena semana santa resolvi dedicar nosso espaço semanal para tratar de alguns temas que muitas vezes não sabemos a resposta. Por exemplo: Qual o significado do jejum? Porque a igreja orienta a não comer carne vermelha? E a penitência, por que temos que fazer esse sacrifício?

Conversei com o seminarista Izaquiel Arruda Siqueira, 21 anos, e chegamos a algumas respostas que divido com vocês a seguir:

Será que você sabe qual o verdadeiro significado do jejum?

Jejum significa um ato de amor, fé e penitência para com Deus. É abster-se, conforme a necessidade de cada um, de comida e bebida para poder chegar ao controle da vontade, dos sentimentos, e da própria vida como um todo. Jesus o inclui na dinâmica do exercício de qualificação da existência e do dom da vida.

Certamente parece ultrapassada essa atitude, num tempo de tanta fartura, de desperdícios, contracenando com um mundo de pelo menos um bilhão de famintos. Jejuar é um exercício de correção de costumes e hábitos que nos levam a tratar o alimento com respeito, nos motiva a repartir nosso bocado com quem tem fome, superando a gula que despersonaliza e fomenta irracionalidades.

É ainda um exercício que dá o equilíbrio indispensável para não cairmos nos exageros da corrupção, dos apegos nascidos da voracidade que põem o indivíduo diante das coisas e dos bens.

Existem vários tipos de jejum que não são propostos à pessoas em condições especiais de vulnerabilidade: crianças, enfermos, viajantes, pessoas idosas ou muito fracas, e mulheres grávidas. Mas, sua prática se aplica àqueles com idade de 18 a 60 anos. O verdadeiro jejum leva o ser humano à reflexão, rebaixa-o diante de Deus e o santifica. Os mais generosos podem jejuar todas as sextas-feiras. Farão muitíssimo bem! Para entender mais profundamente essa graça, sugiro que vá direto à fonte: recomendo a leitura do livro de Isaías, no capitulo 58, sobre o verdadeiro jejum.

Carne? Por que não devemos comer nas sextas-feiras?

Com a proximidade da sexta-feira santa muitos indagam o motivo pelo qual há abstinência de carne e até, ou não, de peixe. No início do cristianismo os dias de jejum e abstinência de carne eram as quartas e sextas-feiras. Com o passar dos tempos tal prática foi se abrandando. Hoje, todas as sextas-feiras do ano são dias de penitência, a não ser que coincidam com solenidades do calendário litúrgico.

Os católicos nesse dia se abstêm de carne ou outro alimento, ou praticam alguma forma de penitência, principalmente obras de caridade ou exercícios de piedade. Na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, memória da Paixão e Morte de Cristo há o jejum e a  abstinência de carne, que são obrigatórias. Privar-se deste saboroso alimento com espírito de penitência é sumamente agradável a Deus, purificando o homem de seus pecados, inclusive da gula.

E a penitência? Para que serve?

A penitência nos faz recordar que somos frágeis e que a vida que temos é um dom de Deus, que deve ser vivida em união com ele. Ela serve para limpar o homem de suas imundícies, reparar os pecados cometidos, abrir-se a realidade de cada um. As práticas penitenciais conferem ao penitente a santificação, mudança de mentalidade (conversão), um voltar-se para o Deus da vida e pô-lo em primeiro lugar.

Os exercícios quaresmais, na vivência litúrgica que a Igreja Católica oferece como preparação para a celebração da Páscoa do Senhor Jesus, o Salvador do mundo, são riquezas de um caminho que constituem uma das páginas insubstituíveis na qualificação da vida de todos. Esses exercícios trazem conseqüências e resultados mais fecundos na participação de cada pessoa na grande teia da cidadania, que cada um, em conjunto com outros, ajuda a tecer e manter. Tornamos homens mais abertos à multiforme graça de Deus, mais coerentes com a Sua Palavra. Transforma-nos em seres humanos melhores.


Por Viviane Lopes – Graduando em Jornalismo pela FAVIP.



Por Emanoel Glicério | Marcadores: , , ,

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