A pesquisadora Flávia Danielly de Siqueira Silva apresentou no último dia 14 de dezembro, na UEPB, seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), abordando “o cinema como espaço de lazer e sociabilidade em Santa Cruz do Capibaribe-PE”.

Querida Flávia Danielly... A iniciativa de resgatar algo que tem uma importância tão patente para o ser humano quanto dispensável para a mentalidade tacanha do capitalismo voraz que busca sufocar as lembranças, constrói verdadeiros monstros endinheirados e terminarão por fazer sucumbir a “minha” Santa Cruz do Capibaribe, transformando-a nisso que você afirma – com razão –: uma cidade caótica e desorganizada, esta iniciativa sua, dizia, só pode merecer de mim e de alguns poucos que ainda conseguem manter viva essa Santa Cruz de ontem, o mais enfático agradecimento e reconhecimento, materializado no mais caloroso aplauso.

As brilhantes reflexões teóricas que embasaram o registro dos acontecimentos ligados ao cinema em Santa Cruz do Capibaribe demonstraram uma maturidade acadêmica considerável. A utilização da teoria desenvolvida por Michel de Certeau, autor com o qual também trabalho em Literatura, enriqueceu sobremaneira seu texto, e, por isso também, este é digno de respeito, de figurar entre as grandes obras escritas sobre a “Cidade das Gameleiras”. Lendo-o, como fiz, de um só fôlego, por vezes a saudade me obrigava a parar um pouco, revolver os olhos para o passado e saborear essa deliciosa viagem no tempo. Deliciosa porque nostálgica, porém triste, pela constatação de não mais ser possível. Não que eu queira que paremos no tempo, mas que, ao menos, o passado fosse substituído por um presente que mantivesse a preocupação com a cultura, com o lazer sadio... Infelizmente, isso não aconteceu; destruiu-se o passado e, sobre ele, só se ergueram entulhos de excrementos...

Lendo o seu texto, lembrei várias vezes do meu querido mestre e amigo Lindolfo de Lisboa. Ele, por certo, ficaria satisfeito em ver alguém tão jovem registrando, de forma precisa e contundente, um pedaço da história de nossa comunidade! Ele próprio um lutador pela manutenção dessa história, ele próprio um incompreendido, que terminou seus dias ignorado por essa gente que hoje se acha “dona” desse latifúndio de pano a que chamam Santa Cruz do Capibaribe.

Parabéns pela sua brilhante pesquisa! Obras como esta é que comporão, um dia – ainda acredito nisso – o rico acervo que reconstituirá a História de Santa Cruz do Capibaribe, em seus mais variados aspectos culturais, artísticos e de lazer. Quando, ainda não sei; talvez no dia em que aparecer alguém que reúna condições políticas e intelectuais conjugadas, e consiga perceber que “nem só de tecido vive a capital da sulanca”, que esta terra do Capibaribe guarda em suas entranhas um tesouro formidável, o qual começa a ser desvendado por garimpeiros da História, como você, querida Dani.

Agora é fazer as devidas adequações e publicar, que algo desse quilate não pode ficar circunscrito ao mundo acadêmico, esquecido em alguma biblioteca da universidade, sem a leitura daquele a quem, verdadeiramente, se destina este trabalho: o povo santacruzense.

Por Edson Tavares

Por Emanoel Glicério | Marcadores: , , ,

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