A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) vai inaugurar até 2011 um laboratório de ponta dedicado às pesquisas de tratamentos e vacinas para doenças genéticas, infecciosas e inflamatórias. O repasse financeiro para a construção do Núcleo de Doenças Genéticas Complexas e Farmacogenômica já está garantido. Na semana passada, o Ministério da Ciência e Tecnologia liberou R$ 2 milhões, complementados por R$ 914.400,00 mil captados pela universidade junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) através de seleção pública que apoia implantação de infraestrutura de pesquisa.

O Núcleo inaugura um complexo de excelência para os pesquisadores pernambucanos e desponta no Nordeste como principal referência na área de biotecnologia aplicada à saúde. “Passa a atuar como centro formador de recursos humanos de alto nível, desenvolvedor e distribuidor de tecnologias para a melhoria da qualidade de vida”, ressalta o professor do Departamento de Genética da UFPE, Valdir Queiroz Balbino. O prédio terá 1.200 metros quadrados, com dois pavimentos, localizado em terreno ao lado do Laboratório Central do Centro de Ciências Biológicas (CCB).

Estão entre as prioridades do laboratório, as doenças complexas humanas com alta incidência na região, como o diabetes de tipo I e II, hipertensão, lúpus, artrite, tireoidite auto-imune, doença celíaca e vários tipos de câncer, assim como as infecções causadas pelos vírus HIV e HPV. Segundo o professor Valdir Balbino, o diferencial do laboratório é o olhar genético no estudo dessas enfermidades. “A farmacogenômica possibilita a identificação de fatores genéticos associados à resposta diferenciada a fármacos (drogas) utilizados no tratamento de doenças complexas, direcionando os resultados ao desenvolvimento de produtos terapêuticos e diagnósticos”.

Em outras palavras, essa linha de estudo traz uma apreciação mais específica do paciente, projetando em cada um, olhar personalizado. O resultado é revolucionário: permite o desenvolvimento de novas drogas e o resgate de outras já conhecidas que ao mesmo tempo em que se mostram efetivas no tratamento de determinado grupo, não surtem o mesmo efeito em outros.

Será um espaço voltado para o diálogo entre os vários pesquisadores do Nordeste e também do Brasil. “O laboratório vai representar um Centro de Excelência de Genética Molecular não somente na UFPE mais também no Nordeste do Brasil. Serão desenvolvidas as mais modernas e atualizadas tecnologias para diagnóstico molecular de doenças hereditárias, para farmacogenômica e para desenho de novas estratégias vacinas, tudo em parceira com as outras instituições de pesquisa da UFPE que já estão colaborando conosco”, destaca o coordenador do Núcleo de Genética de Doenças Complexas e Famacogenética, Sérgio Crovella.

A parceria também ultrapassa as fronteiras nacionais. “O Núcleo vai ter uma visão nacional e internacional de compartilhar as pesquisas, sobretudo porque já possui este tipo de mentalidade colaborando há vários anos com instituições internacionais como o Hospital Infantil Burlo Garofolo de Trieste na Itália, o Setor de Virologia Molecular da Universidade do Maryland nos Estados Unidos, e vários outros grupo interessados e que colaboram com nossas pesquisas”.

O caráter multiusuário do laboratório será favorável também à formação de novos pesquisadores na área. A princípio, os especialistas virão do próprio Departamento de Genética, mas a ideia é alavancar concursos para aumentar o quadro de estudiosos.


Por CAROLINA ALBUQUERQUE/Folha de Pernambuco

Por Emanoel Glicério |

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