Páginas da Ditadura! É hora de abrir!

1964...

Nasce um inferno para os estudantes...

Os jornalistas foram perseguidos...

Poetas foram, à força, calados...

Grandes artistas foram exilados...

Nossos mais vivos foram enterrados...

Gritos de dor, de ódio, e gemidos.

Foi um castelo branco enfurecido

Espalhar medo nos meninos “livres”

Décadas tristes que a memória guarda...

Um futebol e uma Jovem Guarda...

Taparam bocas, olhos e ouvidos...

Toda a América foi contaminada...

E a terra foi jogada em nossa cara...

Lamarca, Marighela, (Che Guevara)*

Assassinados e seus assassinos

Estão na boa, entre uísques finos...

Dentro dos cargos de um país sem cara...

Cazuza já sabia! Mostra a cara...

Abre os arquivos, vamos ver quem é...

Os generais sem cara e sem piedade...

Polícias espalhadas na cidade...

Um Ato Institucional daquele costa...

Naquele triste ano 68...

Silêncio, morte, dor e esquecimento....

Pra que vibrar a taça de uma copa

Se a gente perdeu tantos lutadores?

Pra que fazer de heróis os jogadores

Se aqueles que lutaram foram mortos...

E enterrados no solo sem grama

Do campo do país dos idiotas...

Abre o arquivo, abre, mostra a cara...

Daqueles que fizeram nosso inferno...

Pra que calar a boca por um terno...

Há tanta gente que quer ver um filho,

Um irmão, um pai, um andarilho...

Que foram torturados e jogados...

No chão dos campos do país que é penta...

Uma revolta mata e arrebenta

Os corações dos filhos e dos pais...

Pra que querer esconder generais,

Torturadores, mentirosos e mais...

Abre os arquivos mostra a cara deles

Diz onde estão os corpos dos meninos...

Mostra ao país como mataram tantos...

É hora de abrir a página podre!

Autor: Clécio Dias.

Por Emanoel Glicério |

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