O leitor George Balbino, que mora em Londres, e passa férias na Capital da Sulanca, enviou e-mail ao blog reclamando do atendimento do hospital municipal. Confira as criticas de George Balbino e comente sobre esse caso.


Prezado Emanoel,

Como leitor assíduo do seu e dos outros blogs da cidade, sempre procuro me manter relativamente atualizado sobre os últimos acontecimentos da minha querida Santa Cruz do Capibaribe, o que não é uma tarefa muito fácil quando se mora do outro lado do mundo, mas os blogs da cidade têm sido verdadeiras minas de informação e fazem parte do meu cotidiano Londrino.

Foi com muita consternação que li sobre a situação da saúde pública na nossa cidade. Mas uma coisa é ler sobre fatos ou situações desagradáveis e outra, bem diferente, é vivenciar essas situações, como a população de Santa Cruz do Capibaribe.

Pois bem, nunca me passou pela cabeça que eu seria vítima do atual caos na saúde pública da nossa cidade, pelo menos não até a manhã do último domingo, quando num pequeno acidente cortei o pé numa chapa de ferro enferrujada e precisei ir ao hospital da cidade (Av. 29 de Dezembro) para tomar uma injeção antitetânica. Ao chegar à unidade, me deparei com a recepção vazia, e depois de aguardar uns momentos fui atendido pelo recepcionista que mais parecia ter acordado de um profundo sono. Expliquei-lhe a situação e perguntei se poderia receber a injeção antitetânica. Para minha surpresa, o sonolento atendente declarou que "aqui, nós não trabalhamos com antitetânica"! Eu perguntei onde poderia ir para receber o devido tratamento, ao que ele respondeu: "Você terá que ir à Policlínica, mas só abre na segunda-feira.". E o atendente foi mais além e ainda ofereceu orientação médica, sem claramente pensar no que estava dizendo. Ele disse "você pode tomar a injeção até 7 dias após a contaminação", informação que está completamente errada e pode induzir o paciente a erro e tristes consequências. Pedi para que pelo menos um curativo fosse feito do corte e fui encaminhado a uma sala de atendimento, mas para isso a enfermeira teve primeiro de ser acordada! Na sala, encontrei um rapaz que havia sofrido um acidente de moto e estava em péssimas condições. Após o rapaz ser atendido, a enfermeira me pediu para sentar numa maca coberta de sangue, deixado pelo paciente anterior, e depois que me recusei ela me deu o que mais parecia um pano de chão para forrar parte da maca. Com o curativo finalmente feito, me desloquei até ao Recife, onde recebi o devido atendimento e imunização. A experiência descrita acima deixou um gosto ruim na boca e hoje consigo entender melhor o que a população da nossa cidade tem de lidar diariamente. É impressionante que numa cidade como Santa Cruz do Capibaribe, uma das maiores preocupações do poder público parecer ser a organização de festas e os eternos conchaves. Mas por outro lado, considero-me sortudo, pois não era nada muito grave. Imaginem se fosse!

Fica aqui o meu voto de repúdio à administração local.

Atenciosamente,

George Balbino

Por Emanoel Glicério |

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