A incontrolável popularidade do presidente

Os incontidos recordes de popularidade do presidente Lula não são, como poderíamos imaginar, o melhor dos sinais. Devemos sempre suspeitar das preferências de quem apóia um governante de maneira tão incontestável. Antes de tudo porque isso o torna inviolável e absoluto, acobertando seus pecados. Quanto às virtudes, estas os governantes, e principalmente os presidentes, não costumam ter. O cargo é grande demais para coisas tão pequenas.

No caso de Lula é possível enxergar motivos aparentes de preocupação. Quando Lula foi eleito, no já distante ano de 2002, tudo indicava que isso seria um marco na recente história da democracia brasileira. De certa forma foi. Não tiremos todo o mérito do feito. No entanto, enquanto a República elegia um presidente o povo, ingenuamente, elegia um semi-deus. Depois de Getúlio, para ficarmos num exemplo rasteiro, Lula é o presidente que mais soube se aproveitar desse elemento arcaico que se convencionou chamar de massa. Taí o presumível resultado: Lula está a inúteis e incontáveis gargalhadas à frente de qualquer outro que passou pelo Planalto.

Mas o real problema causado pela tamanha popularidade é que isso o impede de pensar racionalmente sobre seu governo. Tudo posso naqueles que me fortalecem, diria o presidente super-pop. Vejamos sua política social, a vitrine de sua Presidência. O termo distribuição de renda tem adquirido com ela significado mágico, deixando de ser um tema essencialmente econômico. Mesmo alimentando insatisfações políticas, os programas sociais do governo Lula o blindaram do ataque daqueles que, quanta petulância!, lhe fazem oposição, qualquer que seja ela. Agora não são apenas alguns poucos que estão em condições de consumir. Isso é excelente. Mas agora também, e como sempre, apenas alguns poucos podem ocupar o melhor lugar da mesa, ficar com as melhores fatias da ceia. Isso é questionável. O que é péssimo para este ou para qualquer governo não passa por essas duas questões. Talvez a palavra crise explique o significado de tudo isso.


Por Manoel Sampaio

Por Emanoel Glicério |

3 comentários:

  1. Anônimo disse...:

    A inveja mata, a inveja destroi.

  1. Anônimo disse...:

    Concordo em gênero, número e grau!!

  1. Anônimo disse...:

    Ninguém consegue enganar tantos por tanto tempo. O presidente Lula é humano , portanto, falível. Mas, ninguém pode negar que "nunca na história desse país" um governante foi tão sensível politicamente com os menos favorecidos. Infelizmente, o ranço ( das elites, ou dos por ela doutrinados) de 500 anos não se supera em apenas 8.